Um dos principais atrativos da II Feira Estadual da Agricultura Familiar e do Trabalho Rural (Agrifam), em Agudos, é a obtenção de linhas de crédito para pequenos e médios produtores rurais do Interior paulista. Os financiamentos, concedidos pelo Fundo de Expansão da Agricultura Paulista (Feap), são destinados a 26 tipos de culturas agrícolas.
Durante a feira - realizada até hoje na sede do Instituto Técnico e Educacional para Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo (Itetresp), em Agudos -, uma equipe instalada no estande da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) estará prestando esclarecimentos aos interessados em adquirir linhas de crédito. Além disso, o órgão presta assessoria nas áreas jurídica, de Previdência e renegociação de dívidas.
Os financiamentos são coordenados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os benefícios são voltados aos pequenos e médios agricultores que faturam até R$ 185 mil por ano. O prazo de carência é de 12 meses e o produtor possui cinco anos para pagar o empréstimo, com juros prefixados de 4% ao ano, de acordo com informações do governador Geraldo Alckmin, que visitou a Agrifam no primeiro dia do evento, anteontem.
Durante a Agrifam, a procura por linhas de crédito foi considerada elevada, aponta a assessora da Fetaesp, Érica Pereira. “O visitante entra nos estandes e, por exemplo, se ele se interessar por algum equipamento, pode fazer a proposta e escolher a forma de financiamento, que pode ser pelo Banco Nossa Caixa ou no Banco do Brasil, onde ele fará um pré-financiamento”, explica. “Ao se dirigir a uma agência do seu município, o processo estará agilizado”, detalha.
O produtor rural Luiz Antônio Pavão, de Paraguaçu Paulista, é um dos interessados nas linhas de crédito. Ele visitou o estande da Fetaesp ontem para obter informações sobre a melhor forma de investimento. “Quero saber se melhorou (a oferta de) crédito para o pequeno produtor, que já existia, mas era muito pequena. Estou vendo se tem alguma novidade nesse sentido e se os juros e os prazos de pagamento são acessíveis”, conta ele, que trabalha na área de pastagens, apicultura e lavoura de milho.
A possibilidade de conseguir financiamentos representa um incentivo a mais para João Soares do Santos, que atua no setor de implementos agrícolas em Marília, mas planeja produzir verduras. “Estou pensando em trabalhar como produtor agrícola e estou pesquisando estufas”, revela.
A Agrifam conta com aproximadamente 100 estandes de empresas e fornecedores do setor agrícola. Novos equipamentos e serviços especializados atraíram centenas de pessoas que visitaram o local. Entre eles, o casal de agricultores José de Lima Hungria e Silvana Rodrigues da Silva, de Lupércio. “Nós trabalhamos com gado e produção de pepino em estufa. Para nós, a feira é muito interessante”, diz ela. “Estamos vendo as novidades em produtos e máquinas”, conta Hungria.
Inventor rural
Outro destaque da Agrifam é a apresentação de maquinários criados por pequenos produtores rurais para facilitar o trabalho no campo. Eles estão expostos no evento e, após avaliação de uma comissão técnica, concorrerão a prêmios que podem chegar a R$ 3 mil.
Um dos inventos que mais chamam a atenção do público é a estufa hidropônica feita de bambu, que permite ao agricultor plantar alimentos sem a utilização de produtos tóxicos da mesma forma que uma estufa metálica (convencional), só que fabricada de forma muito mais barata.
“Em média, a estufa normal custa entre R$ 4 mil e 5 mil. A estufa de bambu custa menos de R$ 300,00”, diz o inventor do equipamento, João Batista Rocha, de São Paulo. Além do bambu, a estrutura possui materiais de sucata em sua composição, como cascos de telha, caixas de leite e garrafas plásticas.
A exemplo da estufa de bambu, uma plantadeira manual (de grãos) feita com materiais de sucata pode facilitar o trabalho dos pequenos agricultores. Fabricada com pedaços de madeira, foice, enxada e peças de bicicleta, o equipamento substitui o trabalho do arado e da plantadeira mecânica, além de garantir maior rapidez no serviço, explica seu inventor, o produtor rural Aleil Magri, de Pontaporã, no Mato Grosso do Sul.
“O pessoal costuma usar uma matraca mecânica, mas ela tem um problema porque enrosca e corta os caroços. Com essa plantadeira manual, o serviço de um dia pode ser feito em duas horas”, destaca Magri. Segundo ele, o custo da máquina gira em torno de R$ 500,00.
Uma lanterna a querosene exposta na Agrifam também atraiu curiosos. “Ela é feita com duas latas de massa de tomate e tocada com um cordão de querosene. A alça é feita de arame”, explica Augusto de Oliveira Neto, que estava apresentando a invenção de Venâncio Gasioroski. De acordo com Oliveira Neto, além de ser construída com materiais de sucata, o equipamento possui maior potência.
Serviço
A II Agrifam termina hoje, no Itetresp. Rodovia Marechal Rondon, quilômetro 322, Agudos.