Para tentar minimizar as conseqüências do déficit de pediatras e das precárias condições das unidades descentralizadas de prontos-socorros da rede pública municipal de Saúde, a administração atual está implantando nessas unidades o Pronto-Atendimento Médico (PAM).
Trata-se de uma proposta em que o mesmo médico fica responsável por atender duas crianças agendadas (serviço de núcleo de saúde) e três de demanda espontânea (serviço de pronto-socorro) por hora.
Para os pediatras que atendem pela rede, a alternativa só trará prejuízos à população. “O médico acaba acelerando o atendimento ao paciente agendado, porque sabe que tem uma urgência lá fora. E só pode atender três urgências por hora, o que é um absurdo. Quando se fala em urgência, não dá para deixar para depois”, argumenta um médico da rede, cujo nome será omitido.
A medida já gera reclamações entre os usuários. A dona de casa Alexsandra Silva, 21 anos, conta que procurou a unidade descentralizada do Núcleo Mary Dota levando os dois filhos. Ambos apresentavam os mesmos sintomas.
“Eles estão atendendo três crianças por hora (urgência). Minha filha foi atendida no horário das 14h e meu filho no das 15h. Eu entrei com os dois no consultório, o médico só viu a menina. Saímos, esperamos, entrei com os dois de novo para ele ver só o menino. Tive que esperar mais de uma hora entre um e outro. Por que eles não podiam atender os dois juntos, se o problema era o mesmo”, questiona.
Em entrevista recente ao Jornal da Cidade, o secretário municipal de Saúde, João Sérgio Carneiro explicou que o PAM é uma proposta paliativa para garantir o atendimento ambulatorial e de urgência nessas unidades, mas que trata-se de algo temporário.