Vão se consolidando, de maneira suave, os primeiros sinais de retomada da atividade econômica.
O nível de emprego começa a elevar-se, ainda que com padrões salariais defasados, a produção industrial revigora-se, a arrecadação tributária atinge sucessivos recordes e o saldo da balança comercial é crescente, garantindo o ingresso de moeda forte para pagamento dos compromissos financeiros externos, tanto do país, como das empresas privadas. No âmbito político, à parte as denúncias levantadas contra os integrantes do alto escalão da instância federal, o governo Lula tem conseguido adotar e aprovar projetos importantes, como as PPPs (Parcerias Público Privadas), a desoneração tributária das aplicações financeiras de médio e longo prazos, bem como, do chamado setor produtivo da economia.
Apesar desses importantes avanços, ainda persistem sérios entraves que continuarão a estrangular a economia, como: obsolescência de portos marítimos e fluviais, legislação trabalhista caótica, mão-de-obra desqualificada e de baixa produtividade, aeroportos congestionados, rodovias não-privatizadas à beira da ruína total, a quase exaustão da capacidade hidroelétrica de geração de energia, o desrespeito às regras dos contratos celebrados entre o poder público e a iniciativa privada (gerando insegurança jurídica que afasta os investidores nacionais e estrangeiros) e a crescente e nefasta interferência do Estado na vida dos cidadãos. Importante ressaltar, que no Brasil, os governos se servem dos cidadãos em vez de servirem aos mesmos, dando quase nada em troca da cobrança dos extorsivos impostos coletados.
Para complementar o processo de compreensão do panorama econômico atual, outras variáveis devem ser observadas:
Inflação: devido ao forte reajuste dos preços dos produtos industrializados e das tarifas públicas, entre julho e agosto, os índices de preços ao consumidor deslocaram-se para algo em torno de 1% ao mês.
Juros: em função das expectativas inflacionárias permanecerem em alta, limitam a possibilidade do BC de retomar o processo de diminuição da taxa de juros. Nesse aspecto, há baixa probabilidade de que possa haver diminuição significativa em 2004.
Câmbio: devido aos vencimentos da dívida externa terem diminuído em julho, o mercado externo estará mais favorável às captações soberanas (do país) e das empresas privadas, apesar da alta dos juros nos EUA.
Diante do exposto, torna-se evidente que o processo de retomada da economia brasileira não será algo estrondoso no curto prazo, e por isso, há que haver cautela na administração dos recursos financeiros. Algumas sugestões:
1. Evitar ao máximo a contração de dívidas de longo prazo, já que o aquecimento do mercado de trabalho ainda não é consistente
2. Não efetuar compras por impulso, em primeiro lugar a razão e depois a emoção
3. Barganhar preços à exaustão, quando comprar algo
4. Evitar promoção do tipo “à vista ou a prazo sem juros”, pois ninguém empresta dinheiro a custo zero
5. No caso de aplicação do excedente financeiro, deve-se dar prioridade aos fundos de renda fixa DI, cuja rentabilidade protege melhor o aplicador, das turbulências do cenário político-econômico.
O autor, Fernando José Martha de Pinho, é economista, pós-graduado em Finanças, mestre em administração de empresas (Universidade Mackenzie), consultor financeiro e professor universitário.