A comunidade “Eu Odeio Bauru” foi criada em 13 de maio deste ano e tinha 279 membros até a última sexta-feira. Entre outros temas, já discutiu os buracos, as baladas, o sistema de transporte coletivo e até mesmo as curiosidades sobre o povo bauruense - e nem sempre agradou e divertiu todos os membros. Em algumas ocasiões, usuários chegaram a desferir ofensas pessoais a outros internautas por não concordarem com os comentários postados.
Os criadores da comunidade, Juliana Ronconi e Marcelo Linhares Ferreira, comentam que a idéia surgiu das conversas que os amigos mantinham com freqüência. “Sempre conversamos sobre os buracos, a falta de opções culturais, o clima, as pessoas que se arrumam para ir a uma lanchonete fast food (risos)”, conta a “orkuteira”.
Ferreira observa que a maioria dos membros é de pessoas que não nasceram em Bauru. “São como nós, que se mudaram para cá com a família ou que vieram para estudar.” Apesar das brincadeiras, ele ressalta que já ocorreram discussões sérias no grupo. “Teve comentários mais politizados, sobre a intenção de voto das pessoas”, diz.
O professor Gabriel Pompeu de Souza se diz opositor ao grupo, mas entende que é comum que as pessoas que são de fora da cidade tirem sarro com os problemas e a população. “Minha família cresceu aqui e eu tenho tudo o que preciso em Bauru. Não vejo essa cidade como pequena e sem oportunidades”, opina.
Juliana defende que a comunidade não tem a intenção de disseminar o ódio pela cidade. “Todas as pessoas têm direito de reclamar do lugar onde vivem”, afirma. Para Ferreira, a questão toca na liberdade de expressão.
“Eu amo a cidade, gosto de muitas coisas e gostaria que outras fossem melhores. A gente tira sarro até para ver se as pessoas acordam para os problemas. Não é normal uma cidade que tem grande arrecadação de impostos e não tem indústrias. Se mostrarmos que outras cidades não estão assim, talvez crie alguma consciência”, argumenta o estudante.