08 de julho de 2026
Geral

Orkut tem 100 comunidades locais

Diego Molina
| Tempo de leitura: 5 min

Quantos amigos você fez nos últimos dois meses? Há alguns que podem responder, de pronto: “35”, “78”, “250”. Não, eles não são celebridades. São apenas internautas que caíram na última febre - ou seria praga? - do mundo virtual, o Orkut. Se você ainda não foi contagiado ou nem sabe o que é isso, é sinal de que tem noção de que a brincadeira pode viciar ou que seus amigos podem estar um pouco “obsoletos” -, afinal, o Orkut funciona como um clube VIP, só entra quem é convidado.

O Orkut (www.orkut.com) é um site que abriga os perfis de seus usuários e comunidades virtuais nas quais eles podem se inscrever. O sistema foi criado pelo turco Orkut Buyukkokten, 29 anos, que trabalha como analista de sistemas do site de busca Google. Até a semana passada, o número de membros já ultrapassava 1,3 milhão, dos quais mais da metade é de brasileiros. Na sexta-feira, havia pelo menos 96 comunidades ativas relacionadas diretamente a Bauru na rede.

A graça do sistema é justamente encontrar amigos, conhecer pessoas e participar das conversas nas comunidades - que na verdade nada mais são do que listas de discussão sobre um tema específico. Entra aí também a possibilidade de sondar a vida alheia, descobrir os interesses, conhecer os amigos e até mesmo ver fotos dos usuários.

Quase uma celebridade

E o importante é ser uma celebridade e ter muitos amigos no Orkut, certo? Nem sempre. A jornalista e estudante Juliana Ronconi, 21 anos e usuária há três meses, foi convidada por uma colega da faculdade e mantém 33 amigos em sua lista. “Eu tirei algumas pessoas nos últimos tempos porque já havia mais de 40 e achei que tinha muitos desconhecidos. Não acho interessante ter na minha lista pessoas que não conversam comigo”, diz.

Já a estudante Aline Siqueira Bombonato, 15 anos, mantém quase 100 amigos em sua lista. “A maioria são pessoas que eu converso pela Internet, mas não conheço pessoalmente porque não são de Bauru”, diz.

Ela destaca que para conhecer e manter os amigos do Orkut é necessário ter um programa de troca de mensagens instantâneas, como o ICQ ou o MSN Messenger. “Para aprovar algum amigo na minha lista, eu sempre tento conversar pelo MSN antes, ou mesmo por e-mail. Tem gente que não tem nada a ver comigo, então, quero sempre conversar antes de aceitar como amigo”, pondera Aline.

De acordo com o estudante Marcelo Linhares Ferreira, 21 anos e “orkuteiro” há três meses, a idéia principal do sistema é mostrar que todos os usuários estão ligados uns aos outros por um número reduzido de pessoas. “Acho meio impossível fazer amizade pelo Orkut, mesmo porque não é fácil entrar em contato com as pessoas por ali. A única saída é o ‘scrapbook’ (livro de recados), onde você pode deixar uma mensagem, mas não tem chat”, explica.

Em alguns casos, o Orkut serve para aproximar pessoas que provavelmente não conversariam ou nem se encontrariam no “mundo real”. Juliana conta que um dia recebeu um bilhete durante a aula, de uma menina com quem ela não havia trocado mais do que três palavras. “Ela dizia que havia me encontrado no Orkut e queria pedir permissão para me adicionar na lista dela. Agora, conversamos sempre”, relata.

O auxiliar de escritório André Ruiz, 21 anos e 23 amigos, também procura ser criterioso na hora de aceitar novos amigos. “Eu já aceitei pessoas que não conheço, mas depois acabo nem trocando mensagens. Acabo aceitando para não ficar chato”, assume.

Vício

Atualmente com 111 amigos em sua lista e membro de 33 comunidades, o professor Gabriel Pompeu de Souza, 23 anos, já se considera viciado em Orkut. “Virou uma coisa obrigatória. Fico postando mensagens, acompanho as discussões e respondo o que as pessoas colocam. Eu até almoço em frente ao computador, no Orkut e no MSN”, ressalta o professor de aviação.

No entanto, Souza diz saber dividir o tempo entre suas obrigações para não deixar de cumprir nenhum compromisso. “Não vivo em função disso, tenho minha vida, gosto de sair. É preciso saber dividir e ter um tempo para você, o mundo não é só o computador. Se você conhece alguém pelo Orkut e conversa pelo MSN, pode combinar de sair junto. Pode até rolar uma amizade de verdade.”

Se não tivesse obrigações com o colégio e os estudos, Aline assume que também seria viciada no sistema. “Nas férias, entrava o dia todo, mas agora só tenho tempo à noite. É melhor, porque tenho minhas coisas para fazer. Tem de estabelecer uma meta do que você quer e dividir seus horários para poder curtir tudo”, orienta a estudante.

Mas se até Roberto Carlos - que tem uma comunidade em sua homenagem com 170 membros - queria ter um milhão de amigos, é claro que os “orkuteiros” também podem. No entanto, é preciso ter paciência, porque o sistema é lento.

Temas variados

Os orkuteiros não vivem só de encontrar amigos e bisbilhotar a vida alheia. Todos são membros das comunidades, listas de discussões sobre um tema específico que já ultrapassam 140 mil no sistema. Os temas são tão variados quanto a criatividade humana pode imaginar. Elas se dividem em 28 subgrupos que incluem arte, política, educação, cidades e games, entre outras.

O professor Gabriel Pompeu de Souza, 23 anos e “orkuteiro” há quatro meses, freqüenta principalmente as comunidades de Bauru e das universidades locais. “Mas também procuro as mais engraçadas, como a ‘Eu já...’, em que as pessoas contam coisas absurdas que já fizeram na vida”, diz.

Além de temas como “Bauru”, “Unesp”, “Che Guevara” ou “Tati Quebra-Barraco”, os usuários acabam criando seus próprios grupos, como o “Tá na Moda”, do jornalista da Folha de S.Paulo Pedro Alexandre Sanches. A vantagem é que, com a invasão brasileira do sistema, há milhares de comunidades totalmente em português, apesar do site ser todo em inglês.