26 de maio de 2026
Geral

Esgrima é atração no Bosque da Comunidade

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

“Se for preciso eu pago para ensinar”. A frase é do militar reformado Domício Silveira, 84 anos, um apaixonado por esgrima. Todos os domingos, a partir das 10h, ele reúne os (poucos) alunos no Bosque da Comunidade para, ao ar livre, ensinar as táticas e técnicas do esporte, sob o olhar curioso dos visitantes.

Para quem freqüenta o local todos os domingos de manhã, a cena já deixou de ser uma novidade. Afinal, já se passaram dez anos desde a primeira aula no bosque. O local foi escolhido porque no início sua aluna era diretora do bosque. O tempo passou, os alunos mudaram, mas o local continua o mesmo.

Atualmente, Silveira tem apenas três alunos e um quarto interessado deve começar as aulas nos próximos dias. Pode parecer pouco, mas para o professor é o máximo de vagas que ele pode atender. O curso é gratuito.

Embora seja um esporte relativamente barato, a esgrima não é muito difundida no Brasil. Entre as grandes cidades do Interior do Estado, Silveira afirma que Bauru é uma das poucas onde o esporte é praticado.

Nas Olimpíadas, por exemplo, o Brasil está representado por três atletas, um homem e duas mulheres, o que, na opinião do professor, é um número muito baixo. A título de comparação, a Hungria está representada na competição por 15 atletas. Uma delas, Timea Nagy, ganhou ontem medalha de ouro na categoria espada individual.

Não é só na delegação brasileira que há predomínio das mulheres. Em Bauru ocorre o mesmo. Dos três alunos do professor Silveira, apenas um é homem. A quarta vaga também deverá ser preenchida por uma mulher.

Bruno Nardo, 18 anos, o único homem da turma, foi o único também a comparecer para a aula de ontem no bosque. Filho do major José Humberto Nardo, Bruno iniciou as aulas em março último e diz estar realizando um sonho. “Sempre quis aprender, mas nunca tive oportunidade”, disse ele, que está em Bauru há pouco tempo. Após quatro meses e meio de aula ele conclui: “É melhor do que eu esperava”.

Em termos de condicionamento físico, a esgrima pode ser comparada à natação, segundo Silveira. Por ser uma prática que exige muito esforço, as aulas duram em média apenas meia hora.

Para concluir o curso é preciso passar pelas três armas: florete, espada e sabre. A diferença entre elas, segundo Silveira, está na espessura da lâmina e no copo (a parte que protege a mão).

Cada uma delas custa, em média, R$ 150,00, a máscara está em torno de R$ 200,00, a luva sai por cerca de R$ 30,00 e a roupa custa aproximadamente R$ 100,00. Com exceção desta última, o restante é material importado.

Regras

A esgrima é arte do ataque e da defesa com espada, o único esporte que tem atletas com roupa em todo o corpo. As proteções são reforçadas na região do tronco. Além disso, há luvas nas mãos e uma máscara na face.

A competição consiste em acertar o adversário, sem ser atingido antes. O vencedor será quem marcar 15 pontos ou quem anotar mais pontos antes dos nove minutos regulamentares, que são divididos em três períodos de três minutos cada. Em caso de igualdade, será disputada uma prorrogação de um minuto.

Mestre de armas

A esgrima chegou ao Brasil em 1906 trazida por franceses para ser aprendida e utilizada pela Força Pública, hoje Polícia Militar (PM).

Em 1947, Silveira formou-se professor de educação física e um ano depois recebeu o título de mestre de armas - nome dado a quem conclui o curso de esgrima. Em meados de 1949, ele foi transferido para Bauru, onde se aposentou como coronel da PM e começou a lecionar. Seu primeiro aluno foi o médico oftalmologista Hélio Lopes.

Silveira credita sua boa saúde, aos 84 anos de vida, à prática da esgrima. Membro do Clube da Terceira Idade da Universidade do Sagrado Coração (USC), o mestre de arma fará uma apresentação no dia 31 deste mês, às 19h30, na inauguração do sebo da biblioteca da universidade.