11 de julho de 2026
Ciências

Pesquisa analisa a emissão de mercúrio por dentistas

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Os dentistas estão entre os responsáveis por emitir mercúrio ao meio ambiente através do descarte do amálgama dentário, produto utilizado no tratamento de cáries lançado diretamente nos córregos e rios. Essa é a premissa de uma pesquisa que está sendo desenvolvida pelo pós-graduando em patologia bucal pela Universidade de São Paulo (USP), Tiago Novaes Pinheiro.

Orientado pelo professor titular de patologia da universidade, Alberto Consolaro, o projeto foi classificado em primeiro lugar em um concurso promovido recentemente pela Mapfre (um conglomerado de seguros e previdência privada com sede na Espanha) e gerenciado pela Faculdade de Saúde Pública da USP.

A verba adquirida com o prêmio, de R$ 9 mil, será aplicada na pesquisa. O estudo busca demonstrar como o mercúrio proveniente do amálgama dentário pode se acumular em peixes que vivem em rios urbanos e, conseqüentemente, contaminar os seres humanos através da ingestão alimentar. Para isso, o projeto vai expor peixes dourados a ambientes com diferentes concentrações de mercúrio.

“Nós vamos expor o peixe à água do rio Tietê, onde deságua o Rio Batalha, para verificar a quantidade de mercúrio acumulada e a concentração que os peixes de Bauru e região têm”, detalha Pinheiro. “Os peixes podem acumular 400 mil vezes a concentração de mercúrio do ambiente em que ele vive”, ressalta.

Ainda não existem dados que indiquem a concentração de mercúrio expelida por dentitas e, segundo Consolaro, a quantidade é pequena se comparada à emissão de mercúrio industrial. Apesar disso, a informação serve de alerta para a classe odontológica de Bauru e região, que na maioria das vezes não sabem que o amálgama dentário pode ser prejudicial.

“Nós vamos mostrar que a pequena (quantidade de mercúrio) que jogamos na água contamina o peixe, e mostrar para a sociedade que ela tem que controlar isso, senão as pessoas podem se intoxicar por mercúrio”, diz Consolaro.

Existem métodos para evitar que o amálgama dentário contamine os peixes e os mananciais, explica Pinheiro. Entre eles, a utilização de separadores de amálgamas, dispositivos que podem ser acoplados no sistema de esgoto das clínicas dentárias e que são vendidos em lojas especiliazadas. Outro método é a reciclagem desse material. “O amálgama é um produto totalmente reciclável, de onde se pode tirar prata e o mercúrio, que também é caro”, aponta o pós-graduando.

Outra forma de prevenir a contaminação de peixes é conscientizar a sociedade, uma vez que não existem leis de fiscalização no Brasil. “Por que a pessoa tem que tomar cerveja na latinha reciclável? Para preservar alumínio e a natureza. Então, esse mesmo indivíduo tem que chegar no dentista e perguntar se ele tem separador e se ele recicla o amálgama”, cobra Consolaro.