08 de julho de 2026
Ciências

Ácido fólico pode prevenir lesão labial

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) do câmpus de Bauru e de Iowa (Estados Unidos) estão investigando a eficácia do ácido fólico (vitamina do complexo B encontrada principalmente em vegetais e verduras de folha verde escuro) no período pré-conceptivo para prevenir a ocorrência de fissuras orais (lesão de lábio ou de lábio e palato) em filhos de mulheres brasileiras pertencentes a grupos de risco para essa anomalia.

Com financiamento do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, o estudo, denominado Programa de Prevenção de Fissuras Orais, integra a Rede Global de Pesquisa em Saúde Materno-Infantil, criada em 1999. As informações são da assessoria de imprensa do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho-USP).

Na fase piloto, a pesquisa tem como alvo mulheres paulistas, em idade reprodutiva (a partir de 16 anos), fissuradas ou mães de crianças fissuradas, residentes em Bauru e mais 55 municípios vizinhos. A ecolha da região foi feita em função da localização do Centrinho, que é a entidade responsável pela pesquisa no Brasil. A estimativa é que no raio de 120 quilômetros de Bauru existam cerca de 500 mulheres no grupo de risco.

“Sabemos que o ácido fólico diminui a ocorrência e recorrência de defeitos de tubo neural (estrutura precursora do cérebro e da medula espinhal), como a anencefalia (ausência de cérebro), por exemplo - problema decorrente de uma falha de desenvolvimento -, já em relação à fissura este dado ainda é controverso. Agora, queremos descobrir se esta vitamina é realmente capaz de prevenir as fissuras orais”, diz o geneticista do Centrinho, Antonio Richieri-Costa, responsável pela pesquisa no Brasil.

No Brasil, a fissura labiopalatina ocorre em um bebê a cada 700 nascidos vivos. Entre as pessoas que já tiveram um filho fissurado ou são fissuradas o risco, aproximado, de recorrência é de 5%.

Na última semana, o pesquisador americano Jeffrey Murray, a administradora científica do National Institute of Children and Human Development (NICHD), Lorette Javois, e o gerente de protocolo da Ong americana Research Triangle Institute, Norman Goco, estiveram em Bauru para definir detalhes da próxima etapa da pesquisa com o superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas, e os demais membros do grupo bauruense.

“Se atingirmos as duas mil mulheres, devemos ter um número significativo de bebês e analisando estes nascimentos poderemos ter idéia da eficácia ou não do ácido fólico, comparando as taxas encontradas com as esperadas”, conclui Richieri-Costa.

A expectativa é baseada no índice de prevenção encontrado em estudos britânicos que identificaram uma redução de 4% para 1% de recorrência de erro de fechamento de tubo neural após administração de ácido fólico. Em virtude dessas pesquisas, a suplementação de ácido fólico em farinhas é lei em diversos países.

No Brasil, tramita há um ano e meio, no Congresso Nacional, o projeto 70/03, de autoria do deputado Luiz Antonio Fleury Filho (PTB/SP), que obriga a adição do ácido fólico em farinhas de trigo e milho. O projeto está em fase final de aprovação.