10 de julho de 2026
Política

Documentário mostra o cotidiano do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Juízes, promotores, réus e seus familiares, servidores do Poder Judiciário, policiais e advogados que diariamente transitam pelos fóruns e pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Essas são as personagens reais do documentário “Justiça - O Filme”, da diretora Maria Augusta Ramos, há oito semanas em exibição. A obra foi premiada no quesito melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Nyon, na Suíça.

No último sábado, o documentário foi exibido na sede da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), em São Paulo, para fomentar a discussão sobre a atuação do Poder Judiciário.

A obra relata a situação de brasileiros comuns, presos que se acumulam em celas superlotadas por autoria de crimes banais. Durante seis meses, Maria Augusta acompanhou audiências, o desenrolar burocrático dos processos criminais e o sofrimento das famílias dos reús.

“Eu queria fazer um filme que retratasse a realidade brasileira e abordar essa questão da violência, da tensão urbana”, conta. A cineasta confessa que foi a primeira vez que colocou os pés num Tribunal de Justiça.

“Não sou filha de advogado. Não tinha, até então, nenhuma familiaridade com o universo do Poder Judiciário. Assisti a algumas audiências e me encantei. Digo isso e as pessoas acham graça”, comenta.

Ela explica que se encantou porque viu no Tribunal de Justiça e nos fóruns - “entre quatro paredes”, como prefere definir - um “microcosmo” da sociedade brasileira. “Achei que eu não tinha que sair dali para falar do Brasil”, afirma.

Os comentários feitos por pessoas ligadas ao Poder Judiciário sobre o documentário foram elogiosos. O presidente da Apamagis, desembargador Celso Luiz Limongi, avaliou que o filme fomenta o debate. “É importante que o juiz tenha, para julgar, a certeza da realidade que o cerca. E o filme traz essa realidade. Ele instiga a reflexões”, diz.

Na avaliação da professora da disciplina de processo penal do curso de direito da Universidade de São Paulo (USP), Maria Theresa Rocha de Assis Moura, o documentário é positivo porque retrata a justiça penal de uma forma “cruel”.

“O filme mostra o quanto o Poder Judiciário está distante do povo. Mostra o quanto, muitas vezes, os direitos do acusado como cidadão são ignorados num sistema que se preocupa mais com o cumprimento frio da lei do que com o aspecto mais humano de olhar a pessoa que está sendo posta sob julgamento”, analisa. Ela é segunda vice-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

A mesma opinião tem o jornalista Percival de Souza, especialista em reportagens policiais investigativas. “O documentário conseguiu retratar, sob uma perspectiva diferente, com bastante sensibilidade, uma verdadeira face oculta desses mecanismos da prisão, das audiências num fórum criminal e da distribuição da Justiça. Uma visão bem humanista, muito forte”, observa.