10 de julho de 2026
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Nosso caro Zico


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Para as novas gerações, para a nossa Bauru de hoje, o título deste artigo pode parecer distante e de pouco significado. No entanto, se pensarmos que as sementes de ontem produzem as árvores de hoje, estamos em frente a um grande e dadivoso resultado que, por todos os ângulos, orgulha cada brasileiro.

No próximo 18 de março de 2005 completaremos 50 anos de ausência do Benedicto César, o Zico, querido e inesquecível amigo de infância de muitos bauruenses, como eu. Nascido em Bauru, aqui se criou e aqui começou a escrever uma das mais bonitas histórias vividas pelo nosso País. Foi ele um protagonista fundamental na formação de uma mentalidade aeronáutica que deu origem a muito possivelmente a mais fantástica iniciativa brasileira no campo da tecnologia e de demonstração de competência mundial do nosso País.

Ele deu os primeiros passos na nossa fabricação de aviões que, materializando o sonho de Santos Dumont e de muitos outros visionários, hoje impressiona a comunidade mundial, criando e vendendo produtos para as mais variadas empresas de transporte aéreo em mais de 50 países. Deu partida na geração de dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos. Tornou possível a fabricação de aeronaves que hoje lideram a pauta de exportação brasileira, com um produto diferenciado, de alto valor agregado e de extremo conteúdo de inteligência e de capacidade inovadora.

A data dos 50 anos de sua morte, num acidente aeronáutico difícil de explicar e de esquecer, não pode passar em branco na cabeça de cada bauruense. Zico, na sua curta vida, deixou-nos um legado entre os mais significativos que um ser humano pode construir. Deixou-nos um patrimônio precioso de cultura, de vontade, de vitória. Devemos tanto a ele que, embora muito tempo tenha se passado, ainda não se pôde pagar pelos milhares de concidadãos que beneficiou.

No dia 18 de março de 2005, temos de nos reunir, temos de nos reverenciar perante um bauruense que foi gigante. De algum modo, precisaremos cumprir um programa que deverá ter como ponto alto a lembrança de um homem, que embora tenha pouco vivido, ofereceu-nos como fruto de sua cabeça privilegiada um horizonte de conquistas que, sem sua motivação fundamental, não teria ocorrido.

O autor, Ozires Silva, foi o líder da equipe que criou a Embraer. Foi amigo e conviveu com o Zico desde a infância e foram colegas na educação elementar e secundária em Bauru. Viveram e fizeram o curso superior no Rio de Janeiro. Enquanto Zico esteve vivo sempre pensaram juntos em fabricar aviões no Brasil. Com a morte de Zico, em 1955, passou a aplicar as idéias desenvolvidas entre ambos, que foram determinantes para o grande sucesso mundial dos aviões nacionais.