09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Nível de emprego em julho é positivo

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A diretoria regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) anunciou ontem que o nível de emprego na cidade e em mais 16 municípios da região apresentou saldo positivo em julho, ou seja, não foram fechados postos de trabalho. Segundo os dados, foram criados 66 novas vagas em relação a julho, uma variação positiva de 0,41%.

O acumulado no ano (de janeiro a julho) é de 4,41%, o que representa um acréscimo de 713 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o acréscimo é de 4,13%, que equivale a 677 novos trabalhadores na região.

Ainda de acordo com o Ciesp, o índice total de emprego industrial em Bauru foi influenciado pelas variações positivas dos ramos de produtos alimentares (1,51%), mecânica (1,36%) e editorial gráfica (0,76%), que são setores predominantes na região por número de empregados, ou seja, os que mais influenciam na ponderação do cálculo do índice total.

O resultado só não foi melhor devido à variação negativa do ramo de produtos de minerais não metálicos (-4%), que também é um dos setores predominantes na região. Quando comparados os meses de julho dos anos de 2003 e 2004, temos um cenário melhor, pois em julho do ano passado o resultado foi negativo em -0,67%.

Retomada

O diretor regional do Ciesp, engenheiro José Luiz Miranda Simonelli, avalia com reservas o crescimento tímido do nível de emprego em Bauru e região, mas acredita que o dado poderá ser um indicativo de uma possível retomada do desenvolvimento do País.

“Isso sinaliza que nós podemos - ainda é uma hipótese - estar trilhando para a retomada do desenvolvimento. E esperamos que não seja uma bolha. Acho também que esse indicativo não significa que o País está se desenvolvendo. Na verdade, estamos tirando o atraso”, diz.

Simonelli, porém, lembra que a economia aponta outros aspectos negativos que contribuem para o desaquecimento. “Temos uma alta generalizada em commodities - aço, cobre, chumbo, plástico. Houve uma elevação significativa nos valores por conta do aumento do consumo na China”, avalia.

O diretor do Ciesp opina que o País deveria adotar medidas de acompanhamento e correção de percurso para consolidar os números de empregos criados.

Já o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Reinaldo Munhoz, acredita que o cenário de crescimento do País apresenta-se para ficar

“O crescimento é impulsionado pela economia, mas evidentemente que nós vemos também que, em alguns casos, temos crescimento e não temos mão-de-obra qualificada. A busca de um novo perfil é uma preocupação constante do Senai. Estamos em sintonia com as tendências locais, identificando para que direção caminha a nossa demanda mercadológica”, explica.

Munhoz diz que existe a necessidade de readequação nas competências das ocupações para os novos perfis exigidos. “O setor gráfico, por exemplo, está em evidência. Inauguramos uma obra de milhões para atender a demanda.”

Ele afirma que as empresas do setor gráfico estão desenvolvendo ações para buscar a readequação do perfil. “Sobretudo de uma nova postura do profissional, muito mais preocupado com o negócio da empresa. Ele já não veste mais a camisa da empresa. Ele pensa efetivamente com a cabeça da empresa”, acredita.

O diretor do Senai acrescenta ainda o setor da construção civil que, segundo ele, revê o perfil “a velocidade da luz”. “O setor, em parceria com o Senai, está preocupadíssimo em implementar ações urgentes para tentar adequar o perfil de demanda atual com o perfil que o mercado tem hoje.”