É notória a presença de rios e afluentes tecnológicos enraizando-se no cotidiano atual. Cada vez mais as pessoas dependem desses aparatos que estão invadindo a vida global. No entanto, é necessário impedir que estes instrumentos da nova era dilacerem a privacidade individual e manipulem o berço pensante de cada indivíduo. Indiscutivelmente, a presença de aparelhos eletrônicos revolucionários realmente está ausentando a intimidade de cada ser. Câmeras fotográficas digitais, filmadoras e até os celulares mais recentes possibilitam o registro de qualquer pessoa sem seu devido conhecimento.
Isto ocorre devido ao ser humano ter por característica natural a curiosidade sobre a vida alheia. Desde o seu surgimento até séculos ou décadas passados, sempre existiram registros desse ciclo vicioso, que finalizava-se numa balbúrdia geral. Não seria agora que ocorreria uma mutação gênica na espécie que domaria esse artroz instinto psicológico. Porém, o fato é de que os meios estão facilitando a abertura de uma nova porteira ilegal que infringe a inconstitucionalidade vital: a privacidade – ou pelo menos parte dela.
Até que ponto chegaremos caso não detenhamos o avanço desta praga em nossa plantação? Talvez ao fim dos tempos, pois inúmeras seriam as guerras e brigas que levariam à extinção da raça pensante. Dessa forma, conclui-se que é imperativo impedir que o uso da tecnologia invada a privacidade humana e manipule seus pensamentos. Necessita-se de adaptações constitucionais e, concomitantemente, do amadurecimento do homem perante suas ferramentas. Caso contrário, estaremos numa selva onde as feras perseguirão a fragilidade humana até o seu fim. (Cíntia Lopes Dias)