As casas cada vez mais fechadas, a distância geográfica entre parentes e a correria do dia-a-dia são empecilhos que podem dificultar a convivência entre as pessoas. Mas para preservar os laços de amizade, nada melhor do que contar com os vizinhos, que muitas vezes, se transformam em familiares próximos.
Se depender da dona de casa Nize Garcia Bretas, moradora do Jardim Brasil, os laços de afeto com os vizinhos sempre serão preservados. Há diversos anos, ela faz questão de celebrar o Dia do Vizinho, comemorado hoje em todo o Brasil. Nora da criadora da data, a escritora Cora Coralina, ela vive com o marido, Cantídio Bretas Filho, e não tem nenhum parente em Bauru. Porém, revela que o casal nunca se sentiu sozinho pois encontra em seus vizinhos uma verdadeira família.
“Eu e o Bretas moramos sozinhos na cidade. O Bretas era do Exército e foi transferido para Bauru. Meus filhos estão todos longe, a mais velha mora no Rio de Janeiro, um filho em São Paulo e a mais nova em Porto Alegre”, explica Nize. “Então, os vizinhos são nossos parentes, com que nós podemos contar. Nós temos vizinhos de 20 anos, com quem convivemos muito bem”, completa.
Uma das integrantes da “família” do casal Bretas é a professora aposentada Catharina Edna Romão Borges, também moradora do Jardim Brasil. “Nossa convivência entre os vizinhos é ótima, não somos de ficar um na casa do outro, mas somos muito prestativos e nos respeitamos. Moro no bairro há 28 anos e os vizinhos sempre procuram se ajudar”, diz. “A Nize, por exemplo, é uma pessoa maravilhosa e temos uma amizade de muitos anos”, detalha.
Chá e bolo
Há anos, o Dia do Vizinho é comemorado na cidade com uma reunião simples entre amigos. Hoje, a partir das 15h30, na quadra 10 da rua Benjamin Constant, um grupo de vizinhos do Jardim Higienópolis realizará uma festa para celebrar a data. “Cada vizinho vai trazer um bolo e um chá, que tem que ser tomado em xícaras, do jeito que nossa mãe fazia”, explica uma das organizadoras do evento, a dona de casa Helena Quialheiro de Oliveira.
Segundo ela, a festa - que terá a participação de Nize e Catharina - é uma forma de evidenciar a importância dos vizinhos na vida de todas as pessoas. “Um dia minha batedeira quebrou e quem ‘quebrou meu galho’ foi minha vizinha”, brinca. “Outro dia, uns meninos tentaram abrir a porta do bar (que era de Helena), mas a vizinha nos avisou e nós acendemos a luz. Um vizinho sempre ajuda o outro”, ressalta.
____________________
Cultivando laços
O Dia do Vizinho foi criado há mais de 30 anos por Cora Coralina, que além de escritora, era poetisa e pensadora. Nize Bretas conta que durante sua vida, a escritora viveu em diferentes cidades brasileiras, fato que lhe proporcionou se relacionar com muitas pessoas.
“Os vizinhos sempre foram muito importantes na vida de Cora Coralina, porque ela era de Goiás e veio para Jaboticabal, onde ela teve todos os filhos. Depois se mudou para Capital por causa de seus estudos e morou lá durante muitos anos. Tempos mais tarde voltou para o Interior (de São Paulo), morou em Penápolis, e por 15 anos em Andradina. Em seguida, voltou para Goiás”, conta Nize.
Cora Coralina começou a escrever aos 14 anos e teve dezenas de livros publicados. Entre suas obras, se destacam “Estórias da Casa Velha da Ponte”, “Meu Livro de Cordel”, e o livro infantil “Meninos Verdes”. A autora morreu em Goiás, em 1985, aos 96 anos de idade.