Uma vacina que promete imunizar os cães contra a leishmaniose visceral será lançada em Bauru na próxima quarta-feira e deverá ser comercializada a partir do início de setembro. A princípio, porém, a Secretaria Municipal da Saúde não irá utilizar o medicamento no combate à doença, que já contaminou cerca de 2000 animais na cidade em 2004 e matou quatro pessoas.
Segundo Jair Garcia, diretor da unidade de negócios do Laboratório Fort Dodge, responsável pela fabricação do produto, apenas os veterinários que participarem do seminário promovido pela empresa poderão adquirir o medicamento. “Nós faremos um cadastramento e daremos orientações a respeito da vacina. Nossa intenção é fazer um controle rigoroso da comercialização”, argumenta.
Garcia explica que o laboratório vem desenvolvendo a vacina há cinco anos em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. No ano passado, quatro clínicas veterinárias de Bauru chegaram a testar o produto, que tem a aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Ele revela que são necessárias três doses da vacina para que o animal seja imunizado. “Elas devem ser aplicadas com intervalos de três semanas e normalmente a proteção é conferida 21 dias após a última aplicação”, explica. Garcia ressalta que apenas os cães que não contraíram leishmaniose podem ser vacinados.
O diretor do laboratório não quis adiantar o valor do produto, mas no ano passado, durante os testes, estimou-se que cada dose pudesse custar R$ 40,00. O preço é equivalente ao das coleiras contra insetos comercializadas pelas clínicas veterinárias e que devem ser trocadas a cada três meses. A coleira repele também o mosquito palha, que transmite a leishmaniose.
Independente do valor que será cobrada pela vacina, já é certo que dificilmente a população mais carente terá condições de imunizar seus animais.
Entre os veterinários, a utilização da vacina ainda gera expectativas. “Acredito que ela trará bons resultados, mas o seminário da próxima semana servirá exatamente para sanar possíveis dúvidas”, afirma Luciano Fazzani Bortotto.
O veterinário Carlos Roberto Montassier se mostra mais apreensivo em relação à vacina. “No ano passado, o teste foi oferecido de forma experimental, mas acredito que eles precisariam ser feitos em bairros que estão verdadeiramente sofrendo com a doença. O medicamento acabou sendo testado em áreas centralizadas da cidade e em animais que são bem tratados. De qualquer forma, estou ansioso pelas informações que o laboratório irá passar”, comenta.
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Normas
A diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal da Saúde, Maria Helena Abreu, afirma que o município enviará representantes ao seminário promovido para divulgar a comercialização da vacina contra leishmaniose canina, mas diz que a prefeitura não poderá adquirir o produto de imediato.
Abreu lembra que o DSC segue normas do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde para o combate à doença e que elas não incluem a vacinação.
A afirmação da diretora do DSC é amparada por nota divulgada pelo Ministério da Saúde recentemente. O texto confirma a autorização dada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que o medicamento seja utilizado, mas ressalta que ele ainda não é indicado aos municípios como medida de saúde pública.
Ainda de acordo com o ministério, faltam estudos que comprovem de forma mais aprofundada a eficácia da vacina em relação aos procedimentos que vêm sendo adotados atualmente. Em Bauru, o DSC tem utilizado o trabalho de busca ativa nos bairros afetados pela doença para tentar localizar novos casos. O serviço vem sendo realizado por 120 agentes e 12 funcionários da Superintendência de Controle de Endemias (Sucem).
A leishmaniose é transmitida por um mosquito que se procria no lixo em decomposição e pode atingir tanto cães quanto humanos.