25 de maio de 2026
Regional

Hepatite A afasta alunos em Botucatu

Da Redação (colaborou Adilson Camargo)
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A confirmação de cinco casos de hepatite tipo A praticamente esvaziou a Escola Municipal de Educação Infantil Aida Heloísa Ávila, no Jardim Brasil, em Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru). Dos 120 alunos que freqüentam a pré-escola, somente 10% estariam comparecendo às aulas. Os demais aguardam em casa até que a doença esteja comprovadamente afastada.

O primeiro caso foi descoberto no início deste mês, logo após a volta às aulas. Na ocasião, a direção da escola promoveu uma reunião com as mães de alunos, juntamente com representantes da Secretaria Municipal de Saúde.

Mesmo com todas as orientações e os procedimentos de segurança com a higiene que a escola disse ter tomado, muitas mães preferiram manter seus filhos afastados. “Hoje, estamos trabalhando com apenas 10% dos nossos alunos”, informa a diretora da escola, Márcia Dias Spadim.

Segundo ela, as mães resolveram por conta própria que os filhos só voltarão para escola no início de setembro, quando vence o prazo para novas manifestações da doença.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a proliferação do vírus da hepatite tipo A está sendo combatida em conjunto pelas secretarias de Saúde e de Educação do município.

Medidas de prevenção como a interdição de bebedouros e limpeza dos talheres e louças com detergente e cloro foram adotadas logo após o aparecimento dos casos, segundo a assessoria.

Os banheiros também estão recebendo atenção especial. Tanto o chão, quanto os vasos sanitários e pias, estão sendo lavados com cloro três vezes ao dia.

“Assim que registramos o primeiro caso, na primeira semana após o retorno das férias, entramos em contato imediato com a Secretaria de Saúde, que nos informou sobre as providências necessárias para que outras crianças não fossem contaminadas”, disse a diretora da escola.

A Secretaria Municipal de Educação mandou copos plásticos descartáveis para uso dos alunos. “Estamos tomando todos os cuidados necessários, sempre com a orientação da equipe de profissionais da Saúde. As mães não precisam se preocupar e podem mandar seus filhos para a escola”, afirma a diretora.

Surgimento

Segundo a diretora de Divisão Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Mara Sílvia Carmello, o primeiro caso de hepatite A foi notificado logo nos primeiros dias de aula. “Isso significa que a criança foi contaminada no período de férias. A hepatite tem um período de incubação de 15 a 25 dias. Às vezes os sintomas podem aparecer até 30 dias após o contágio”, afirma.

No início deste mês, foram notificados em Botucatu pela Vigilância Epidemiológia da Secretaria Municipal de Saúde seis casos na área do Jardim Brasil, onde cinco pacientes têm idade entre 5 e 9 anos. Todos são alunos da escola Aida Heloísa Ávila e foram afastados das aulas por duas semanas.

O outro caso foi registrado em um adolescente de 15 anos, que é irmão de um dos alunos contaminados. Segundo Mara, todos passam bem.

Ela informou ainda que a incidência da doença pode ocorrer em qualquer época do ano e que o fator determinante para a contaminação é a falta de higiene.

Como a doença atingiu apenas moradores do Jardim Brasil, o município tem intensificado as ações de proteção e prevenção no bairro, segundo informou Mara. A medida visa evitar que o vírus se espalhe para outras regiões.

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Sintomas

A hepatite A é uma doença que pode começar com febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas e desconforto abdominal, com aparecimento de icterícia (cor amarelo-esverdeada) dentro de poucos dias. A transmissão é fecal-oral, através da ingestão de água e alimentos contaminados ou diretamente de uma pessoa para outra. Uma pessoa infectada com o vírus pode ou não desenvolver a doença.

A hepatite A ocorre em todos os países do mundo, mas é mais comum onde a infra-estrutura de saneamento básico é inadequada ou inexistente. A infecção confere imunidade permanente contra a doença.

A transmissão é comum entre crianças que ainda não tenham aprendido noções de higiene. Dez dias depois de uma pessoa ser infectada, desenvolvendo ou não as manifestações da doença, o vírus passa a ser eliminado nas fezes durante cerca de três semanas. O período de maior risco de transmissão é de uma a duas semanas antes do aparecimento dos sintomas.