Apesar do poder público ter realizado investimentos para instalação de salas de informática nos últimos anos, a pesquisadora Neide de Aquino Noffs, da Faculdade de Educação da PUC-SP, afirma que ainda falta infra-estrutura nas escolas públicas. Para ela, o processo de inclusão digital ainda não é uma realidade nesses espaços.
“As salas onde existem os computadores não ficam abertas o dia inteiro. Não há um profissional especialista para ficar ali. Então, apenas alguns horários são abertos para os alunos terem acesso. Isso restringe muito a oportunidade do aluno de se familiarizar (com a Internet)”, diz.
A pesquisadora também destaca que a quantidade de equipamentos disponibilizados fica aquém da demanda das escolas. Em Bauru, as salas de informática das unidades estaduais, que possuem em média mil alunos, contam apenas com dez computadores. Durante uma aula, os equipamentos chegam a ser utilizados simultaneamente por até quatro alunos.
“Temos dez computadores para uma sala que tem 40 alunos e para uma escola que tem mais de mil alunos. Acho que deveriam investir mais nisso (condições de acesso). Porque hoje em dia tudo gira em torno da informática”, reclama o estudante da escola Ernesto Monte, Vítor Julian Coimbra Barboza, 17 anos.
Na opinião da pesquisadora da PUC, o processo de inclusão digital está apenas começando nas escolas públicas. “Na verdade esse espaço é apenas um início de conversa, mas não representa a necessidade real da escola e dos alunos”, destaca. “Seria necessário uma vontade política maior para que isso ocorresse”, completa a professora, destacando que é necessário investir em infra-estrutura e capacitação dos professores.
Permanente
Segundo a pesquisadora, o laboratório de informática deve ser mantido aberto de forma permanente, para atender aos alunos de acordo com a sua necessidade.
Outra questão ressaltada pela pesquisadora diz respeito a atualização dos computadores, já que alguns equipamentos instalados pelo governo no período de implantação das salas de informática estão ultrapassados.
Em Bauru, esse é o caso da escola estadual Ernesto Monte. Segundo a diretora Heloise Helena Cerqueira de Souza, desde que o laboratório foi inaugurado, há cerca de cinco anos, os computadores não foram substituídos. “Em termos de atualização dos equipamentos, a situação ainda é precária, porque a gente não tem condições de trocá-los. A gente, na medida do possível, vai mexendo na capacidade da máquina e colocando algum recurso a mais”, diz.