08 de julho de 2026
Regional

'Só vê o saci quem merece'

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Polêmicas à parte, há quem garanta que a aparição do saci é uma questão de merecimento. Só quem acredita poderá, um dia, vê-lo e talvez tocá-lo. Em Botucatu há muitas pessoas que garantem ter visto o saci e com ele mantido um ‘contato imediato’. Alguns dizem que ele ensinou uma receita. Outros dizem que ele aprontou uma brincadeira e há ainda os que garantem que ele apareceu rapidamente só para mostrar que existe.

O presidente da Associação Nacional dos Criadores de Saci, José Osvaldo Guimarães, fala com tanta convicção que quem ouve acredita que ele conhece de perto um dos mais famosos personagens das histórias de Monteiro Lobato. “Eu vi o saci na mata. Essa pegada, que é o símbolo da associação, foi tirada de uma pegada dele na mata.”

Em uma das últimas aparições do saci na Cuesta botucatuense, Guimarães estava com um grupo de pessoas. “Eu estava com um grupo e um deles passou de relance. Eles estão soltos e não têm um horário, ou um dia definido para aparecer. Sabemos que ele gosta da sombra, da noite e mais nada.”

Tereza Oliveira Guimarães conta que viu o saci fugindo com sua polenta na mão, em seu quintal. E Cleide Cruz encontrou-se com o animal em uma das cachoeiras da Serra.

O sinal mais visível que o saci existe na serra de Botucatu é o rastro deixado por ele, garante o presidente da ANCS, José Osvaldo Guimarães. Mas há outros, encontrados com mais facilidade. “Pelos nossos cálculos, deve ter uns 22 sacis na nossa região. As pessoas que moram em volta do local relatam que aumentou bastante.”

A certeza da presença dos animais de uma perna só, segundo Guimarães, são os relatos dos moradores, especialmente das crianças. “O gado amanhece misturado. As ferramentas somem de um lugar e aparecem em outro. As crianças somem por um período e retornam dizendo que estavam brincando com um menino de uma perna só e de toca vermelha.”

Uma das moradoras que não quer ser identificada para não ser importunada, informa o presidente da associação, conta que seu marido foi buscar lãs e linhas na cidade. “Enquanto descarregava as compras, perdeu a embalagem com essa mercadoria.”

No dia seguinte, os arbustos da propriedade rural estavam todos trançados com as linhas e lãs compradas no dia anterior. “Nunca tivemos relato de um acidente e nem de alguma maldade feita por eles. As tranças nas crinas dos cavalos são ‘artes’ comuns dos sacis.”

O secretário da cultura da cidade Wilson Nakamoto aponta algumas coincidência como obra do saci. “No primeiro dia do festival desse ano, uma entidade fez pamonha para 200 pessoas e sem explicação, ela desandou.”

Na festa da boate, o pessoal da associação levou algumas camisetas. Elas foram deixadas sobre uma lâmpada e pegaram fogo. Tudo obra do saci."