25 de maio de 2026
Articulistas

O atleta olímpico


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O corpo humano é uma máquina surpreendente! Se você levantar, passar pela porta e caminhar em torno do quarteirão, quase todos seus sistemas serão acionados, ocorrendo incontáveis eventos fisiológicos coordenados pelo cérebro controlando a passagem do estado de repouso ao exercício. Criando a rotina de se exercitar diariamente, durante semanas ou meses, e aumentar gradualmente a duração e a intensidade de sua caminhada, você verá uma melhora do desempenho do organismo. Com isso, pode-se afirmar que o treinamento é sempre gradativo, levando o organismo a se adaptar a estímulos cada vez mais fortes, seja no nível de volume ou de intensidade do treinamento.

Os atletas olímpicos têm, cada vez mais, acesso a tecnologias mais avançadas, como tênis que realiza uma série de cálculos por segundo para adaptar o pé ao solo em que se encontra, roupas que diminuem o atrito com a água ou ar e várias outras novas tecnologias empregadas para melhorar a performance do atleta durante a prova.

Outro fator importante é, sem dúvida, a parte psicológica do atleta, a qual estudos já comprovaram ser fundamental para a realização no rendimento durante a competição. O Brasil conta com Centros de Excelência Esportiva (Cenesp), que são laboratórios destinados ao estudo dos esportes e é onde os cientistas dão suporte científico para a melhoria do treinamento do atleta. Um deles está localizado na Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB).

Esses laboratórios contam com uma série de aparelhos que diagnosticam a performance do avaliado. Um exemplo é o ergoespirometro, que tem como função avaliar índices fisiológicos como limiares ventilatórios, capacidade cardiopulmonar e tolerância do esforço máximo. Esses instrumentos, de alta precisão tecnológica, como ergômetros para braços e pernas, medidor de ácido lático sanguíneo, analisadores dos gases expirados e outros equipamentos portáteis, são utilizados para avaliação em laboratório e no campo, respeitando a especificidade da modalidade praticada.

Após a realização de testes, perguntamo-nos como essa “parafernalha tecnológica” ajudará atletas olímpicos a superar seus índices? Os dados obtidos nas avaliações são utilizados como um norteador para o cientista e o técnico. Por exemplo, para um maratonista a detecção do ponto de instalação da fadiga se torna de fundamental importância para definição do ritmo de corrida e, uma vez detectado esse ponto, o técnico terá como trabalhar e desenvolver o treinamento adequado de forma que o atleta possa superar ou render de forma máxima durante a competição.

A evolução da ciência do esporte contribuiu imensamente para o desenvolvimento tecnológico de equipamentos de avaliação, acessórios esportivos e suplementos alimentares, proporcionando o desenvolvimento científico de informações importantíssimas para que o técnico realize o melhor tipo de treinamento para seu atleta alcançar níveis de rendimento máximo. Esse casamento entre a ciência e a prática faz com que o cientista do esporte e o técnico tornem-se aliados na criação de um atleta de ponta. Por traz de um grande atleta existe muita tecnologia e ciência.

A autora, Keila Elizabeth Fontana, é professora da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB), doutora em Fisiologia do Exercício e coordena o Laboratório de Fisiologia do Exercício da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB.