11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dois servidores do Fórum começam greve de fome para forçar negociação

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

Diante do impasse nas negociações entre servidores e a presidência do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo, dois funcionários do Fórum de Bauru decidiram, ontem, iniciar greve de fome até que o TJ volte a negociar com a categoria - que está em greve há 56 dias reivindicando reajuste salarial de 26,39% e melhores condições de trabalho.

Trata-se do casal Luciana Dias Duarte e Benedito José Almeida Falcão, que ontem renunciaram aos cargos de presidente e vice-presidente, respectivamente, da Associação dos Funcionários do Poder Judiciário de Bauru (AFPJB) para poder intensificar as manifestações contra a falta de abertura do TJ para negociar com a categoria.

“A Justiça decidiu que a associação não pode estar envolvida no movimento de greve da categoria. Então, renunciamos aos cargos que ocupávamos para poder nos manifestar apenas como funcionários. Estamos dispostos a manter a greve de fome até que o TJ reabra as negociações com seriedade, e não do jeito que tem feito”, diz Falcão.

De acordo com ele, hoje, a partir de 12h30, os grevistas devem começar a retirar do Fórum os computadores e móveis pertencentes a eles e que são utilizados para trabalhar. Segundo o comando de greve, o uso de equipamentos particulares ou doados é comum nos fóruns do Estado de São Paulo.

“O Tribunal de Justiça não fornece os equipamentos, mas em contrapartida, os servidores são obrigados a cumprir os prazos processuais. Na outra greve (realizada em 2001, com duração de 80 dias) nós também protestamos contra a falta de equipamentos, mas nada mudou”, reitera Falcão.

Ontem, além da greve de fome iniciada pelos dois servidores, um grupo de grevistas queimou as cartas enviadas aos funcionários pela AFPJB. Uma liminar concedida na semana passada obrigou as associações a convocar seus associados para voltar ao trabalho. O descumprimento dessa iniciativa caracterizaria incentivo à greve, abrindo margem a uma multa diária de R$ 50 mil.

“Nós enviamos as cartas, mas os funcionários são livres para fazer o que quiserem. E eles decidiram queimá-las em protesto a essa decisão da Justiça e à recusa do presidente do TJ em manter as negociações com a categoria”, observa Falcão. Segundo ele, no Fórum de Bauru a adesão à greve continua com o índice de 85% do total de 400 funcionários. No Estado, o movimento também continua.

Os servidores iniciaram a greve no dia 29 de junho, após o Tribunal de Justiça ter aprovado um reajuste salarial de 26,39% que não foi aplicado. O índice foi resultado da contraproposta apresentada pelo TJ - e aceita pela categoria - à reivindicação inicial de 39,19%. Desde o mês passado, as negociações estão emperradas.