10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Seca deixa produtos até 46% mais caros

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O longo período de estiagem na região está sendo verificado pelos consumidores nos supermercados, com altas expressivas de preços em diversos produtos. Os principais são cebola, cenoura, tomate, vagem, abobrinha e batata. Segundo levantamento da Central de Abastecimento (Ceasa) de Bauru, no período de 27 de julho até o último dia 23, o aumento médio desses produtos foi de 31,29%.

“Com a estiagem, os produtores têm dificuldades para fazer a colheita, o que acarreta na diminuição da oferta desses produtos. Conseqüentemente, os preços sobem. O ideal neste momento é que as pessoas comprem quantidades menores, apenas para as necessidades imediatas, até começar o período de chuvas e os preços voltarem a cair”, orienta o gerente da Ceasa, Edson Guarido Ribeiro.

De acordo com ele, no dia 27 de julho a caixa de 22 kg de tomate custava R$ 35,00, passando para R$ 45,00 no último dia 23 (alta de 28,5%). Nas mesmas datas, a caixa de 20 kg de cenoura passou de R$ 24,00 para R$ 35,00 (aumento de 46%); a caixa de 15 kg de vagem subiu de R$ 20,00 para R$ 28,00 (40%); a caixa de 23 kg de abobrinha passou de R$ 30,00 para R$ 35,00 (alta de 16,6%); o saco de 20 kg de cebola argentina subiu de R$ 45,00 para R$ 60,00 (33%); saco de 20 kg de cebola nacional saiu de R$ 28,00 para R$ 35,00 (aumento de 25%), e a batata binje subiu 30%, passando de R$ 50,00 para R$ 65,00 o saco de 50 kg.

“Os produtores estão surpresos com uma estiagem tão longa, já em torno de 35 dias. Quem não trabalha com estufa sempre é prejudicado com essas situações. Mas mesmo quem utiliza o sistema de irrigação está tendo dificuldades”, diz Ribeiro.

No Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IpMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Bauru), a informação é de que até o próximo domingo não há previsão de chuvas para a região. Hoje podem ocorrer chuvas isoladas apenas nas regiões sul e oeste do Estado de São Paulo.

Edson Tanaka, permissionário que trabalha na Ceasa comercializando legumes e outros produtos, diz que já registrou queda em torno de 35% no volume de vendas nos últimos 20 dias. “Essa estiagem está muito prolongada e surpreendeu a gente. Com a oferta pequena no mercado, os preços sobem mesmo. Mas acredito que a partir de agora a tendência é de melhora na situação.”

Queda

O gerente de compras de uma rede de supermercados com três lojas em Bauru, Paulo Sanches, avalia que o pico do período de preços altos passou e que, a partir de agora, a tendência é de retrocesso. Contudo, ele aponta que a rede chegou a pagar preço de custo de R$ 2,60 pelo quilo da cebola, o que resultou na venda ao consumidor final com valor acima de R$ 3,00.

“A abobrinha, por exemplo, passou o mês inteiro em alta. O preço de custo da cebola também subiu muito, além de outros produtos, como a cenoura. Mas a partir de agora, a tendência é de queda. Na última compra de cebola, pagamos R$ 2,00 pelo quilo. A situação só não ficou ainda mais difícil porque trabalhamos com produtores de várias regiões, como do Paraná por exemplo. Se todos os fornecedores fossem da região de Bauru, os preços estariam ainda mais altos”, observa Sanches.