Alguns supermercados de Bauru começaram a recolher os inseticidas suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início da semana, mas outros ainda estão comercializando normalmente o produto. São pelo menos 60 marcas de inseticidas à base do princípio ativo Clorpirifós, que segundo estudos da Anvisa, podem causar danos à saúde.
Dos cinco supermercados com mais de uma loja na cidade consultados pela reportagem ontem, em três o produto já havia sido retirado das gôndolas. Paulo Sanches, gerente de compras de uma rede de supermercado de Bauru, disse que os inseticidas proibidos devem ser retirados das prateleiras das lojas a partir de hoje.
“Hoje (ontem) recebemos um comunicado de um dos fabricantes de inseticidas. Amanhã (hoje), ela vai nos informar quais os produtos dela têm esse componente proibido para tomarmos providência”, diz. A assessoria de imprensa de outra rede de supermercados informou que estava iniciando a retirada do produto dos pontos-de-venda.
Outros três supermercados informaram que os inseticidas proibidos pela Anvisa já haviam sido recolhidos. Sabendo da proibição, a dona de casa Vera Lúcia Garcia Campos aproveitou para comprar duas unidades de uma das marcas suspensas antes da recolha. “Se tirarem mesmo todas essas marcas de comercialização, vamos ficar sem veneno para combater baratas”, argumenta.
Ela afirma que toma cuidado ao manusear o produto e não acredita que haja risco à saude. Já a comerciante Clarice Almeida dos Anjos afirma que ouviu comentários sobre a suspensão e não pretende comprar insenticidas. “Se estão proibindo é porque tem algum risco”, opina.
De acordo com a assessoria de imprensa da Anvisa, cabe aos comerciantes retirar os produtos da exposição ao público e às vigilâncias sanitárias estaduais e municipais fiscalizar o cumprimento da decisão.
Os que descumprirem a norma estarão sujeitos a punições que vão de notificação a multas que variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão. Em Bauru, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) informa que não será feita fiscalização específica para verificar se os inseticidas foram retirados das prateleiras.
“Fazemos isso durante as fiscalizações de rotina. A responsabilidade de recolhimento, neste caso, é do produtor e do distribuidor. Nossa função é verificar se a determinação foi cumprida”, explica Therezinha César, farmacêutica do DSC.
Na fiscalização de rotina aos estabelecimentos comerciais, se o fiscal do DSC encontrar inseticida suspenso, o produto é apreendido e a empresa, notificada. Em caso de reincidência, o estabelecimento pode ser multado.
A Anvisa proibiu a industrialização, produção, distribuição, comercialização e entrega de inseticidas à base de Clorpirifós. A medida endossa decisão judicial a partir de ação do Ministério Público Federal e tem como objetivo evitar danos à saúde decorrentes da ação neurotóxica desses inseticidas. Ficam mantidos somente os registros dos chamados porta-iscas - embalagens dotadas de dispositivo de segurança protegendo crianças e animais da exposição ao produto.
.O que causa
O Clorpirifós é um inseticida largamente utilizado em ambientes domésticos e seu princípio ativo integra o grupo químico dos organofosforados, de alto risco à saúde. O produto causa problemas no sistema nervoso e déficit na função cognitiva.
Em junho deste ano, a Anvisa reavaliou o Clorpirifós concluindo - a partir de estudos científicos internacionais e pesquisas bibliográficas e laboratoriais. A agência concluiu que as intoxicações podem provocar distúrbios cerebrais e no desenvolvimento de crianças.