O analista de sistemas Edison Zanini Junior, 39 anos, foi assassinado a facadas no início da madrugada de ontem dentro de seu apartamento, no residencial Parque das Camélias. Um adolescente de 17 anos foi apreendido pela polícia horas depois, com o veículo da vítima, sob a acusação de ter sido o autor do latrocínio (roubo seguido de morte). O analista é a 40.ª pessoa assassinada neste ano em Bauru.
De acordo com o registrado na Polícia Civil, por volta das 23h, Zanini Junior entrou no condomínio, localizado na quadra 5 da rua Gonzaga Machado, acompanhado do adolescente. Duas horas depois, gritos de socorro acordaram moradores do bloco 4 do residencial, onde a vítima residia.
Zanini Junior, segundo informações preliminares da polícia, levou três facadas na região das costas e do tórax. Ele foi encontrado caído na cozinha pelos vizinhos e pelo vigia noturno do prédio, que teve que arrombar a porta para entrar no apartamento. “Eles olharam pelo vitrô da cozinha e viram que o homem estava caído na cozinha, ensagüentado. Aí estouraram a porta e constataram que ele já estava morto”, diz o sargento do Tático-4 José Mario de Freitas, que atendeu a ocorrência.
Antes que o corpo fosse encontrado dentro do apartamento, o adolescente conseguiu passar pela portaria do condomínio e fugiu com o veículo da vítima, um Gol placas BGA-2290, de Bauru, em direção ao Centro. Além do Gol, o jovem também levou a carteira com os documentos do analista.
Na quadra 27 da avenida Rodrigues Alves, sentido bairro/Centro, o adolescente perdeu o controle de direção e bateu o carro contra um alambrado. Depois do acidente, ele saiu do veículo levando os documentos pessoais da vítima, a frente removível do toca-CDs e o tampão traseiro do veículo, com dois alto-falantes.
A Polícia Militar abordou o adolescente a cerca de 500 metros do local do acidente e o apreendeu. Ele apresentava alguns vestígios de sangue nas mãos e, indagado, teria confessado o crime, segundo a polícia. O menor foi recolhido na Delegacia de Infância e Juventude (Diju) e será apresentado à Promotoria da Infância e Juventude.
Desentendimento
Em versão apresentada na Diju, o adolescente afirmou que teria se desentendido com o analista e, para se defender, teria o esfaqueado. Segundo a polícia, foram utilizadas duas facas de cozinha durante o crime. “Ele usou duas facas, uma de cozinha, com cabo preto, e outra cuja lâmina e o cabo são de metal”, descreve o sargento Freitas, destacando que os objetos foram apreendidos.
O delegado-titular da Diju, Adib Jorge Filho, instaurou inquérito para apurar o caso e não soube informar, ontem, que tipo de relacionamento a vítima mantinha com o menor. “Como ele entrou com a vítima no apartamento, presume-se que eram conhecidos. Agora nós vamos aprofundar (as investigações) e verificar qual o relacionamento que eles tinham. Mas ele (menor) teria entrado voluntariamente com a vítima na residência. É desconhecida qualquer circunstância em que ele (menor) teria exercido qualquer tipo de pressão ou ameaça para entrar no apartamento”, diz.
O adolescente é morador da Bela Vista e já teria passagens pela polícia por furto, de acordo com a Polícia Militar. O analista de sistemas era solteiro e morava sozinho no residencial.
Procurada pela reportagem no velório, a família da vítima não quis se pronunciar sobre o assunto. Esse foi o terceiro latrocínio do ano registrado pela polícia em Bauru. O anterior foi de um advogado que foi encontrado morto em um córrego na divisa entre Bauru e Piratininga. O carro dele também foi levado e, dias depois, localizado. Dois adolescentes foram apreendidos e confessaram o crime.
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Vizinhos acordaram com gritos da vítima
Vizinhos de prédio de Edison Zanini Junior acordaram com os gritos na madrugada de ontem. Eles acompanharam o encontro do corpo no apartamento e afirmaram ao JC que estão assustados com o registro do latrocínio dentro do residencial.
“Eu acordei com alguém gritando, levantei assustado e olhei pelo visor da porta, quando vi um cara sem camisa saindo”, descreve um dos moradores, que acionou a polícia. Segundo ele, que prefere não se identificar, esta teria sido a primeira vez que o adolescente visitou o apartamento de Zanini Júnior.
Após ouvir os gritos, uma das moradoras desceu até a porta da vítima e viu manchas de sangue pelo chão. Ela contactou o porteiro e o vigia noturno do prédio, que arrombou a porta do apartamento do morador. Quando entrou no local, o vigia e os dois moradores encontraram o corpo do analista de sistemas caído na cozinha e ensangüentado.
“Eu fiquei assustado porque ele era um vizinho tranqüilo, excelente, eu não tinha queixa nenhuma contra ele”, diz o morador. “Depois disso, eu não dormi e meus dois filhos também. O caso traumatizou a vizinhança, que sempre foi tranqüila”, completa.
Também a moradora consultada pela reportagem afirma estar abalada após o crime. Ela, que mantinha durante o dia o apartamento destrancado, fechou a porta de casa rapidamente com o trinco, enquanto atendia a reportagem. “Eu estou assustada até agora”, admite a mulher, que presenciou o momento em que a vítima entrou no apartamento com o adolescente, na noite de anteontem.