Atenas - A Seleção Brasileira Feminina de Futebol perdeu para os EUA por 2 a 1 na final do torneio olímpico e ficou com a medalha de prata. O Brasil foi superior durante toda a partida, chutou duas bolas na trave e teve um pênalti não marcado a seu favor. Mas numa bola aérea, sofreu o segundo gol aos nove minutos do segundo tempo da prorrogação.
As norte-americanas, tidas como mestras pelas brasileiras, conquistaram assim seu segundo ouro em três edições - o futebol feminino foi incluído no programa apenas em Atlanta-1996.
Apesar do revés, a prata representou o melhor resultado da equipe feminina do Brasil na história. Melhor ainda se for considerado que o time nacional contabiliza nada menos do que 12 jogadoras desempregadas. Em Atlanta-1996 e Sydney-2000, o Brasil caiu nas semifinais. Em seguida, perdeu as disputas de terceiro lugar em ambas as oportunidades e ficou sem medalha.
Enquanto as norte-americanas comemoraram a retomada da hegemonia no esporte - perdida após cair diante da Noruega na decisão de Sydney -, as meninas do Brasil se contentaram com a campanha da equipe. Elas só perderam duas partidas no torneio, ambas para os EUA (uma delas na primeira fase, por 2 a 0).
O Brasil começou o jogo no ataque e antes dos cinco minutos perdeu duas boas oportunidades de gol: um chute que saiu rente à trave e um outro de Eliane, que a goleira Scurry espalmou. Aos oito, os EUA desperdiçaram sua primeira chance.
Durante todo o primeiro tempo, o Brasil dominou, mas aos 38 Tarpley chutou de fora da área e fez 1 a 0 para as norte-americanas. Dois minutos depois, as brasileiras tiveram a última chance no primeiro tempo, numa falta em dois lances cobrada dentro da área norte-americana. Após rebote da defesa, Cristiane chutou, mas Scurry defendeu.
No segundo tempo, o jogo pegou fogo. Logo aos quatro minutos, Mia Hamm chutou a bola na mão de Andréia. Cinco minutos depois, Rosana cruzou e Scurry se antecipou, fazendo defesa segura. Aos dez, Daniela chutou de fora da área, mas a bola passou à direita do gol.
O Brasil pressionava, mas errava sempre no último passe. Enquanto isso, os EUA assustavam nos contra-ataques, como aos 19, quando Lilly recebeu sozinha na área, mas matou a bola de forma errada e facilitou a defesa de Andréia.
Aos 28, finalmente saiu o gol de empate. Cristiane fez linda jogada individual pela direita e cruzou para a área. A goleira Scurry deu o rebote, que Pretinha aproveitou para mandar a gol.
Um minuto depois, Cristiane chutou de fora da área e a bola saiu à esquerda do gol. Aos 31, novo chute de Cristiane. Desta vez, bateu na trave direita. Aos 42, Pretinha acertou trave direita, na última chance do Brasil no tempo regulamentar.
Na prorrogação, o Brasil continuou melhor, mas desperdiçou muitas chances. Aos 13 minutos da primeira etapa, Daniela invadiu a área e jogou a bola na mão da zagueira americana, mas a árbitra sueca não marcou o pênalti. Logo depois, Cristiane recebeu a bola na cara do gol, sem marcação, mas chutou para fora.
No segundo tempo, o Brasil continuou sendo superior, mas aos nove, levou o castigo. Wambach aproveitou uma cobrança de escanteio e fez 2 a 1. Era o fim do sonho brasileiro em conquistar o inédito ouro no futebol olímpico.
Brasil: Andréia; Tânia Maranhão, Monica, Juliana e Daniela; Rosana, Elaine e Formiga; Pretinha, Marta e Cristiane.
EUA: Scurry; Rampone, Chastain (Reddick), Fawcett e Markgraf; Tarpley, Boxx, Foudy e Lilly; Mia Hamm e Wambach. Árbitro: Jenny Palmqvist (Suécia.