Jaú - A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru), Alessandra Aparecida Tiritan de Souza, pediu a prisão preventiva de um mecânico de 44 anos acusado de ter estuprado uma filha de 17 anos em 1999.
O crime teria sido praticado em uma chácara, na zona rural de Jaú. A menor engravidou e teve uma filha, que hoje está com 4 anos. Quando soube da gravidez, o pai teria forçado a filha a fazer o aborto, com o uso de pílulas abortivas, mas a tentativa não se concretizou.
O caso só foi levado ao conhecimento da polícia no ano passado. Depois disso, foi feito exame de DNA e o resultado, segundo a delegada, teria comprovado que o mecânico é o pai da criança.
De acordo com a delegada, a garota disse que não procurou a polícia antes porque teria sido ameaçada de morte pelo pai caso contasse para alguém o que havia acontecido entre eles.
O estupro só foi descoberto após o nascimento da criança, por pressão da mãe da vítima. Até então, a garota dizia que havia engravidado numa relação sexual com um namorado. A mãe começou a forçá-la a dizer quem era o pai para tentar na Justiça o pagamento de pensão alimentícia.
Diante da pressão, ela acabou revelando o estupro e acusou o pai de ser o autor. Segundo contou, a relação sexual teria se consumado mediante ameaça do pai, que estaria armado.
Até os 16 anos de idade, a garota viveu com a mãe, que se separou do marido antes do nascimento da filha. Em decorrência de problemas financeiros, depois dos 16 anos, a garota passou a viver com o pai e os avós paternos, com os quais só passou a ter algum contato após 8 anos de idade, em uma chácara em Jaú.
Segundo a delegada, a garota conta que cerca de um ano mais tarde o pai teria tentado manter relações sexuais com ela, o que teria sido negado. Diante da situação, ela declarou que decidiu voltar a morar com a mãe em uma cidade na região de Jaú.
Festa surpresa
Pouco depois, o pai teria ligado para a menina convidando-a para uma festa-surpresa na chácara para o avô dela, que estaria fazendo aniversário.
Como tem grande afinidade com o avô, a garota disse que aceitou participar da festa e foi recepcionada na rodoviária de Jaú pelo pai, que a levou para a chácara. Quando chegaram o local estava vazio e o pai teria alegado que os convidados viriam mais tarde.
Na verdade, segundo a delegada, a festa era apenas um pretexto para atrair a garota até a chácara. Quando entraram na casa, o pai teria forçado a relação sexual com ameaça de uma arma de fogo, segundo relatou a vítima. Durante o ato, ela conta ainda que o pai teria usado um travesseiro para pressionar seu rosto e intimidá-la. A arma, no entanto, ainda não foi localizada pela DDM.
Após o estupro, o mecânico levou a filha até a casa de uma prima, na cidade onde mora a mãe, e teria dito que se ela contasse sobre o ocorrido para alguém correria risco de morte.
Em depoimento na DDM, o acusado teria dito à delegada que manteve relação com a filha porque ela teria se oferecido a ele. “A alegação é sempre a mesma”, declarou Alessandra, relembrando outras conversas com suspeitos de estupros.
Segundo ela, o mecânico responderá por estupro e tentativa de aborto, já que teria sido ele quem entregou as pílulas abortivas. A punição para estupro varia de seis a dez anos de prisão. Para a tentativa de aborto, a pena varia de um a quatro anos.