09 de julho de 2026
Bairros

Cão doente será sacrificado sem exame

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Os cachorros doentes, com suspeita de leishmaniose, serão sacrificados mesmo sem a realização do exame que atesta se estão ou não com a patologia. A decisão foi anunciada pela assessoria de imprensa da prefeitura de Bauru no início da noite de ontem, após a Secretaria Municipal de Saúde ser informada que o Instituto Adolfo Lutz suspendeu temporariamente a realização dos exames porque os kits necessários para fazer o diagnóstico da leishmaniose visceral deixaram de ser distribuídos.

Em conseqüência, a Secretaria de Saúde vai suspender a coleta de sangue de cães suspeitos de estarem com a doença. Os kits Rifi e Elisa canino, usados no diagnóstico, estão suspensos porque o produto, produzido e distribuído pela Bio-Manguinhos/Fiocruz, não está cadastrado no Ministério da Agricultura e Produção Animal.

Segundo o secretário municipal da Saúde, João Sérgio Carneiro, a previsão é que somente em aproximadamente 60 dias os kits voltarem a ser fornecidos normalmente. “Diante desse fato, até lá, com o critério de buscar sempre uma sistemática de segurança que garanta a saúde da população bauruense, os animais doentes, com suspeita de leishmaniose, serão sacrificados mesmo sem a realização do exame”, diz a nota distribuída à imprensa pela prefeitura.

Para Carneiro, a suspensão da distribuição dos kits é fruto de uma divergência entre os ministérios da Saúde e da Agricultura. Na opinião dele, questões relativas a cães, como os kits para exames, deveriam ser subordinadas ao Ministério da Agricultura. Neste ano, até o último dia 31, foram coletados sangue de 7.538 cães sob suspeita de leishmaniose em Bauru. Destes, até o último dia 18, 5.543 deram negativo e 497, positivo e ainda eram aguardados resultados de 1.062. Neste ano, até o último dia 31, haviam sido sacrificados 855 animais.

A doença, que é transmitida ao cão pelo mosquito palha, também atinge humanos. Desde setembro do ano passado, a leishmaniose já é responsável pela morte de quatro pessoas - três neste ano em Bauru. Desde janeiro, a cidade contabiliza 15 casos da doença.

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Análise particular

Com a suspensão dos exames para confirmação de leishmaniose que eram feitos gratuitamente pela Secretaria de Saúde, os donos de animais que quiserem comprovar a doença podem optar por análises particulares, feitas em clínicas veterinárias da cidade. O sangue do animal é coletado e submetido a exames em laboratórios especializados.

Existem diversos tipos de exame, entre eles o Rifi, que é mais simples e custa entre R$ 22,00 a R$ 30,00; e o Elisa, mais sofisticado e cujo valor varia entre R$ 70,00 a R$ 75,00. “A população não é obrigada a entregar o animal para a prefeitura desde que (o exame) não tenha sido positivo. As pessoas que tiverem condições financeiras podem fazer esse exame nas clínicas veterinárias, o que não pode é eles (Secretaria de Saúde) retirarem os cães com suspeita e sacrificá-los sem ter a comprovação”, frisa Ângela Silva, presidente da Uipa.

A leishmaniose é transmitida a cães e a humanos através da picada do mosquito palha infectado com um protozoário, que fica alojado dentro de células do sistema imunológico. A doença atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea. Ela provoca um processo infeccioso e anemia, fatores que podem levar à morte. Cristiane Goto