No Brasil, a população de obesos já é maior do que a população de subnutridos, comprovando uma inversão epidemiológica, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Hoje os adultos morrem mais de doenças cardiovasculares e são constatadas mais doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Todas doenças relacionadas à alimentação inadequada e ao sedentarismo.
A incidência de obesidade em crianças em idade escolar e pré-escolar está aumentando ano a ano. No Brasil, os casos de obesidade infantil triplicaram nos últimos 20 anos e hoje 14% das crianças apresentam sobrepeso.
Segundo dados internacionais da American Family Physician a obesidade infantil já atinge cerca de 25% a 30% da população infanto-juvenil no mundo. Nos Estados Unidos, os números indicam que 25% das crianças são obesas e a questão já está sendo abordada pela Organização Mundial de Saúde como uma epidemia de obesidade.
Um dos grandes problemas do excesso de peso na infância é o seu reflexo na vida adulta. De acordo com o pediatra canadense Oded Bar-Or, diretor do Centro de Nutrição e Exercícios para Crianças, da Mc Master University, até os 4 anos a probabilidade de uma criança manter a obesidade depois de adulta é de 20%. Se o excesso de peso permanece até a adolescência, ela pula para 80%. O pediatra também afirma que já é alarmante o número de crianças com diabetes de adulto.
Pais, médicos e professores devem ficar atentos para identificar o sobrepeso das crianças, porque o excesso de gordura pode acarretar uma série de danos à saúde. Em entrevista publicada na revista Nutrição, a Zuleika Salles Cozzi Halpern - endocrinologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Secretária Geral da ABESO - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, esclarece as consequências da obesidade para a saúde da criança. Segundo a Dra. Halpern, o processo de aterosclerose ( deposição de placas de gordura na parede dos vasos) pode ter início, muitas vezes, na infância ou na adolescência. Cada vez mais se elevam os casos de hipertensão arterial, elevação do colesterol, diabetes e doenças cardiovasculares em populações muito jovens.
O fator psicológico é outro dado importante, porque a criança obesa passa a ter problemas de aceitação na escola e perde a auto-estima.
Diante deste quadro, a educação nutricional é cada vez mais importante. É preciso prevenir desde cedo, incentivando o aprendizado sobre os alimentos e seu valor nutricional.
Hora do lanche
A alimentação das crianças na escola também é uma das grandes preocupações dos pais que se preocupam com a obesidade infantil. Mesmo considerando que a merenda ou lanche escolar representa apenas 15% da ingestão diária, existe muita controvérsia sobre a sua composição, qualidade e quantidade. Além do aspecto nutricional, os especialistas consideram o caráter educativo do que é oferecido à criança.
Outro aspecto a ser considerado é que o aluno bem alimentado apresenta maior rendimento escolar, tem o equilíbrio necessário para seu crescimento e desenvolvimento e mantém as defesas imunológicas adequadas.
As crianças pequenas costumam levar alimentos de casa, mas nem sempre este lanchinho é o mais adequado. A nutricionista Suzana Janson Franciscato esclarece que, na hora de preparar a lancheira, a mãe deve considerar o valor nutricional dos alimentos, ter criatividade para não repetir todo dia os mesmos lanches e ainda respeitar as preferências da criança. Para ser completa, a merenda da escola deve conter um alimento energético ,protéico, uma sobremesa e uma bebida. Por exemplo: pão com requeijão, fruta e iogurte.
Quando passam a ter acesso à cantina da escola, as crianças não aceitam mais o lanchinho de casa e então começa o grande risco da alimentação inadequada. Infelizmente, nem todas as escolas dão a devida atenção à qualidade do lanche das cantinas e as crianças acabam ingerindo muita gordura, açúcar e carboidratos.
Algumas escolas já entenderam que seu papel educativo se estende também à formação de hábitos saudáveis de alimentação. E a cantina deve fazer parte deste papel.
Em São Paulo, Colégio Dante Alighieri desenvolveu um programa integrado de ações educativas e modificação de suas cantinas. A necessidade foi motivada pelo elevado número de crianças com sobrepeso e obesidade matriculadas na escola. Em estudo posterior à implantação de novos cardápios, foi comprovada a redução do Índice de Massa Corporal das crianças em aproximadamente 12%.
Para a nutricionista Suzana Janson Franciscato, mais do que proibir a venda de alimentos, as escolas devem oferecer alternativas mais nutritivas e educar as crianças para as opções mais saudáveis. Outro alerta importante para os pais é sobre o efeito do jejum prolongado no processo de atenção e memória. A nutricionista recomenda que as crianças recebam um café-da-manhã completo antes de ir para a escola, o que inclui leite com achocolatado, pão com margarina e fruta.
A alimentação interfere no aprendizado e na capacidade física da criança e por isso, é importante manter intervalos regulares de 2 a 3 horas entre refeições e lanches. Desta forma, ocorre a melhor distribuição das necessidades calóricas e de nutrientes da criança, essencial para sua vitalidade e disposição. O perfeito funcionamento cerebral depende da glicose e de sua concentração sanguínea. Por isso, o lanche da manhã ou da tarde intercala as refeições e estabelece uma glicemia mais constante, fator importante para a capacidade cognitiva.
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Programa educativo ensina valor dos alimentos
Ao constatar em sua clínica a dificuldade de ensinar e motivar as crianças sobre a importância de comer bem, a nutricionista Suzana Janson Franciscato criou o Programa Nutriamigos. Os Nutriamigos formam uma turma divertida, com personagens que representam os quatro grupos de alimentos: as Proteínas; as Gorduras; os Carboidratos; e as Vitaminas, Fibras e Sais Minerais. Suas fantasias e músicas animadas pertencem ao universo mágico do imaginário infantil e por isso as crianças se identificam com os personagens e aprendem com eles o valor dos alimentos.
Com o sucesso do programa inicial, novos produtos foram criados e hoje compõem um kit completo de material didático, que está sendo comercializado para escolas, clínicas e nutricionistas de todo o País. O Curso “Aprendendo a Comer com os Nutriamigos” utiliza os mais modernos recursos educativos e é vendido em uma caixa com apostila, vídeos, História em Quadrinhos, CD-Rom Nutriamigos e o Jogo da Memória.
E, para as crianças de Bauru, a nutricionista Suzana Janson Franciscato já preparou um programa especial de aulas com os Nutriamigos. No Curso “Aprendendo a Comer”, as aulas são teóricas e podem participar crianças de 3 a 12 anos. As turmas serão divididas por idade, com no máximo 12 alunos por classe. O programa prevê a realização de cinco aulas, com 1 hora de duração cada uma. Serão oferecidas atividades educativas com vídeos, CD-Rom e Jogo da Memória Nutriamigos, onde a criança vai aprender a importância de cada grupo de nutrientes para ter uma alimentação equilibrada.
As aulas práticas do curso “Cozinhando com os Nutriamigos” complementam as aulas teóricas e são realizadas na Cozinha Experimental, onde os alunos têm a oportunidade de participar ativamente. Cada turma tem no máximo quatro alunos e neste módulo os grupos também são formados por faixa etária. Podem participar crianças e adolescentes a partir de 5 anos de idade.
As crianças até 12 anos devem participar primeiro do curso teórico, para que adquiram familiaridade com os nutrientes que compõem os quatro grupos de alimentos e serão sempre enfatizados nas aulas práticas: Carboidratos, Proteínas, Gorduras e Vitaminas, Fibras e Sais Minerais. Durante as aulas práticas, toda a matéria dada nas aulas teóricas é revisada, pois o importante é a criança aprender que todos os alimentos podem ser usados em todas as refeições, desde que de um modo equilibrado.
As inscrições para as aulas teóricas e práticas já estão abertas e durante todo o semestre novas turmas serão formadas. Suzana Janson Franciscato ressalta que “ todos os pais devem estar atentos para a qualidade e equilíbrio da alimentação de seus filhos e que o curso não é destinado apenas aos mais gordinhos, porque todas as crianças devem aprender como ter uma alimentação mais equilibrada”.
• Serviço
Para conhecer mais sobre alimentação infantil e o programa Nutriamigos as crianças também podem acessar o site www.nutri amigos.com.br