08 de julho de 2026
Bairros

Prioridade é garantir abastecimento

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Implementar medidas de combate à perda de água no sistema é uma das preocupações constantes do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru. No entanto, a principal atribuição da autarquia é garantir o fornecimento de água tratada para toda a população da cidade. Para isso, é necessário promover uma ampliação permanente da rede.

De acordo com o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho, o orçamento da autarquia é pequeno (R$ 42 milhões para este ano) e obriga a empresa a estabelecer prioridades. “Então, o DAE perfura poços e constrói reservatórios primeiro. Em segundo lugar está o esgoto - a construção de estações elevatórias e interceptores. Sobra pouco para investir no reaparelhamento do que já existe”, defende.

A afirmação dele é confirmada pelos números do próprio DAE. Só neste ano foram perfurados dois poços, nos bairros Nova Esperança e Vargem Limpa. Foi recuperado o poço do Parque Santa Terezinha e está sendo recuperado o poço do Bauru 16.

Em 2003, o DAE concluiu a construção de um reservatório no Núcleo 9 de Julho com capacidade para armazenar 3 milhões de litros de água. Outro reservatório para 2 milhões de litros de água está sendo construído no Núcleo Geisel.

Além disso, foi executada uma obra de ampliação e desassoreamento do leito do rio Batalha. “Desde 1999 o DAE vinha tendo problemas de vazão quando o nível do rio baixava na estiagem. Com a ampliação, conseguimos formar uma lagoa na captação do Batalha. Ela nos dá uma capacidade de reservação que deverá garantir a manutenção do abastecimento normal mesmo em períodos mais secos”, informa a assessoria de imprensa.

Investimento

Apesar de reconhecer as dificuldades da autarquia, Agostinho defende que o DAE precisa rever seus critérios. “Primeiro fazer uma revisão da tarifa: acabar com a isenção que é concedida atualmente para quem gasta até cinco metros cúbicos (5 mil litros de água por mês) e implantar uma tarifa social, que leve em conta a situação econômica da família. Depois, é necessário buscar recursos externos”, afirma.

Segundo o ambientalista, o DAE sobrevive com verbas próprias há muitos anos, mas obras como a reforma da ETA e a implantação do tratamento de esgoto exigem investimentos muito grandes. “É necessário que a prefeitura faça investimentos no DAE. Apesar de ser uma autarquia, a empresa é um braço da administração pública e precisa ser trabalhada de maneira conjunta”, argumenta.

Uma terceira opção, conforme Agostinho, seria buscar investimentos junto a empresas multinacionais, fundos perdidos dos governos estadual e federal, além de fazer financiamentos para projetos de grande extensão.

De acordo com a assessoria de imprensa, o DAE tem buscado esses recursos externos junto ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e à Caixa Econômica Federal (CEF).

“Conseguimos recentemente a liberação de R$ 1,3 milhão junto à CEF. Tentamos usar o dinheiro para a reforma da ETA, mas o contrato previa financiamento para obras de esgoto, então, o dinheiro será usado para a construção de interceptores de esgoto na margem esquerda do Ribeirão Bauru”, informa a assessoria.

Obra semelhante está em fase de conclusão na margem esquerda do ribeirão e deverá interceptar 400 litros de esgoto por segundo, livrando o ribeirão do despejo de dejetos.

O Conselho Municipal de Usuários dos Serviços de Água e Esgoto (Comusae) também está pleiteando verbas federais para o DAE. O presidente do conselho, Agnaldo da Silva, informa ter solicitado recursos de fundo perdido à União para a reforma da ETA. O projeto foi encaminhado ao deputado federal José Mentor (PT-SP) e aguarda resposta para os próximos meses.