A caneta é realmente mais forte do que a espada? Sabemos que órgãos de imprensa, tais como o estadunidense “The New York Times”, possuem grande importância quanto a dirigir críticas ao governo (no caso, ao presidente George W. Bush). Na Venezuela, trava-se uma verdadeira guerra ideológica entre o presidente Hugo Chavez (vencedor do referendo recém realizado no país) e a imprensa que pretendia depô-lo. Entretanto, como atesta a história, governos ditatórias lançam seus tentáculos de dominação sobre a população através de mecanismos diversos, sobretudo por propagandas favoráveis vinculadas por uma mídia a serviço do Estado. O que era passado torna a assombrar o presente: caso a lei para a criação de um órgão regulador da imprensa e do cinema nacionais seja aprovada, seremos mais uma vez marionetes agindo segundo os interesses de um estado autoritário.
Os limites entre governos democráticos e ditatoriais consistem nos níveis de vigilância sobre o fluxo de idéias acerca destes. Uma imprensa forte sempre foi fator limitante e de controle do Estado democrático, ponderando a influência do governo sobre a população. Ainda assim, uma arma tão poderosa quanto esta pode e é usada como vilã da liberdade, seja implícita ou explicitamente. Assim constitui-se o Estado ditatorial.
Medidas extremas justificam fins autoritaristas. De fato, há tempos que nossas idéias são manipuladas pelos estrangeirismos do cinema, músicas e, no contexto da nova ordem mundial, pela iniciativa privada (pelo impulso insano de se obter o lucro, a qualquer preço). Manipulados por pretextos democráticos, somos induzidos a acreditar em inverdades, sobrepor a própria cultura e ocultar (e não extinguir) os preconceitos. Estas medidas, caso levadas ao extremo, caracterizam governos autoritários.
Com o “DIP versão 2.0”, seremos submetidos novamente às limitações de um ditador populista (ou melhor, “popululista”). O Golpe de 64, até então em quarentena, torna a infectar a atacar a liberdade de expressão tão almejada na época da ditadura, onde - pasmem - o atual ministro da cultura, Gilberto Gil, lutava contra o autoritarismo militar. Hoje, é defensor da causa do governo.
De fato, é necessária a adoção de medidas que visem limites aos meios de mídia. Mas, de forma alguma, estes devem ser impostos pelo Estado. O papel do governo resume-se em investimentos e educação e cultura, a fim de que a própria população possa avaliar e selecionar o conteúdo ideológico a ele dirigido. Entre a caneta (sem tinta) e a espada (sem corte), devemos nos impor os limites que tangenciem a ética e o bom senso. (Eduardo Cruz Moraes - RG 34196903-5 - estudante)