10 de julho de 2026
Regional

Trabalho artesanal dá um novo fôlego a mercado country

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Há mais de 50 anos, as selarias no Brasil estavam no auge. O trabalho agrícola gerava uma demanda muito grande de serviços, na época do café. Só em Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru) estavam sediadas oito selarias. Mas os tempos modernos chegaram, as máquinas de última linha tomaram o lugar do homem e do animal no campo e as selarias foram minguando.

Hoje, na mesma cidade há uma única selaria. Produz trabalhos artesanais e conserta os equipamentos que apresentam problemas.

O trabalho artesanal dos seleiros é um diferencial para quem trabalha o dia todo sobre um animal no campo, e vem cada vez sendo procurado. Os equipamentos fabricados em alta escala são produzidos como se todos os animais tivessem o mesmo corpo. Já os artesanais podem ter ajustes para o conforto do animal e do peão. Além é claro da qualidade.

O seleiro Alcindo Régio "Doca" garante que selas fabricadas por ele há 40 anos, ainda são usadas. “Do tempo em que as plantações de café ocupavam as de cana-de-açúcar.”

Mas não foram apenas as selarias que sofreram com o baque dos tempos modernos. Fabricantes de chapéus, botas, laços e tudo o mais usado em grande escala no campo no passado também tiveram de se adequar.

Os adeptos da moda country, participantes de rodeios e amantes do hipismo, por exemplo, se transformaram em novo filão de mercado.

Em Bariri (a 56 quilômetros de Bauru) ainda existem seleiros, montadores de chapéu e fabricantes de botas sob medida, o que faz da região importante produtora do País, em geral num trabalho que acaba rompendo gerações.

Em Aparecida, distrito de São Manuel (a 65 quilômetros de Bauru), o trabalho de selaria já está na terceira geração. Em cada uma, o serviço é incrementado.

O seleiro Justino Viotto, por exemplo, fabricava apenas laços. O filho dele, Odécio Viotto, fabrica laços, tralhas e arreios. O neto, Anderson Viotto, faz tudo o que avô e o pai fazem para uma nova geração de consumidores, os participantes de marcha de mula.