08 de julho de 2026
Gastronomia

Tutti buona gente!

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Antes da chegada dos italianos em São Paulo, comer fora de casa era coisa para viajantes. No início do século 20, enquanto sírios, árabes e japoneses mal começavam a pisar no Brasil, os alegres e barulhentos italianos, chegados no século anterior, já abriam suas primeiras cantinas.

Foi a Bela Vista, ou Bixiga, que acabou por transformar-se na síntese da presença italiana na Capital. A princípio, essas cantinas não passavam de armazéns, onde os homens reuniam-se após o trabalho, para comer - a comida vinha de casa, preparada pelas mulheres - beber vinho, cantar e jogar cartas.

Nos anos 30, a região já possuía uma vida noturna ativa, com música, cantinas, serestas, dança e até um cordão, que viria a se tornar um dos orgulhos do bairro, a hoje famosa escola de samba Vai-Vai.

Boemia e "Broadway"

Na década de 40, com sua aura de liberdade e alegria, os imigrantes transformaram o bairro em ponto de encontro de boêmios, músicos e artistas.

O músico Adoniran Barbosa foi um “produto” típico da região. A história do teatro profissional no Brasil também nasceu no Bixiga, com a inauguração, em 1948, do Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC.

Hoje, ainda estão na região os teatros Sérgio Cardoso, Ruth Escobar, Oficina, Bibi Ferreira, Imprensa, Maria Della Costa, Abril, entre outros.

Por isso, um dos apelidos recebidos pelo circuito boêmio é a “Broadway paulistana”.

De lá para cá, a face gastronômica do bairro também prosperou. O mais interessante é perceber que em praticamente 100 anos de serviços prestados, as cantinas italianas conseguiram preservar a filosofia trazida pelas “mammas”: a arte italiana de bem-comer, baseada em ingredientes simples, tempero caseiro, fartura, preço justo - e muita alegria.

Exemplo disso, vem da rua Avanhandava, que em seus pouco mais de 100 metros, concentra três casas famosas: Famiglia Mancini, Walter Mancini Ristorante e Avanhandava 34, a novidade do lugar, especializada em pizzas, que nos forneceu algumas das receitas de hoje.

Funcionando ao lado de teatros e bons hotéis, esses estabelecimentos conseguiram tornar o Bixiga em um dos locais mais agradáveis e fervilhantes da Capital, onde celebridades e anônimos compartilham o melhor da gastronomia italiana e a tradição boêmia do bairro da região central.

Um bom motivo para uma esticadinha em sua próxima viagem a Capital, seja ela a trabalho, para compras ou lazer.

O Bixiga é um enclave boêmio-cultural na Bela Vista. Sua origem data de 1878, quando foi divulgado o projeto de um hospital que seria âncora do progresso da região.

O hospital nunca saiu do papel, mas o boato atraiu para lá levas de trabalhadores - em especial, imigrantes calabreses.

Até hoje a marca italiana está por toda parte: dos restaurantes às antigas padarias, onde ainda se come “pão de peito” (apoiado no tórax ao ser fatiado).

Os grandes eventos do Bixiga giram em torno da comida. No dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, é servido na rua o Bolo do Bixiga, com um metro para cada ano da cidade.

No Dia das Crianças, meninos e meninas carentes ganham nacos do Pão Italiano Gigante.

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Penne alla carbonara com gamberetti

(2 porções)

• 300 g de bacon picado

• 20 g de cebola picada

• 2 gemas

• 40 g de parmesão ralado

• 40 g de salsinha

• 300 g de penne

• 100 ml de creme de leite

• 8 camarões graúdos

Numa frigideira grande, frite o bacon, retire a gordura e reserve.

Acrescente a cebola picada ao bacon. Volte ao fogo para refogar a cebola. Adicione, então, o creme de leite, as gemas, o parmesão e a salsinha.

Misture e reserve.

Frite os camarões na gordura do bacon que estava reservada.

Cozinhe a massa em abundante água fervente, com um fio de óleo e sal a gosto. Escorra quando estiver al dente e coloque-a na frigideira com o molho. Leve ao fogo por alguns instantes, misturando delicadamente. Disponha a massa numa travessa e guarneça com os camarões.

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Tagliarini con shitake e rucuola

(2 porções)

• 400 ml de azeite

• 200 g de shitake frescos, limpos e cortados em tiras

• 300 g de molho pomodoro

• 100 g de rúcula cortada à juliana

• 300 g de tagliarini

Molho pomodoro

• 1 colher de sopa de azeite

• 5 tomates maduros sem pele e sem semente

• 3 dentes de alho

• 40 ml de leite

• 50 g de manjericão picado

• Sal a gosto

Para preparar o molho pomodoro, refogue, numa panela, o alho em azeite até dourar. Em seguida, acrescente os tomates cortados em tiras e o manjericão. Misture e deixe cozinhar em fogo brando por 10 minutos, com sal a gosto.

Acrescente o leite e apure um pouco mais. Apague o fogo e reserve. A seguir, refogue os cogumelos no azeite e adicione-os ao molho. reserve.

Cozinhe a massa com bastante água, um fio de óleo e sal a gosto. Escorra a água quando obtiver o ponto de cozimento al dente. Junte a massa ao molho, acrescente a rúcula, misture tudo delicadamente e sirva em seguida.

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Fetuccine à Alfredo

(2 porções)

• 250 g de fetuccine

• 1/2 litro de leite

• 1/4 litro de creme de leite

• 1 colher de manteiga

• 2 colheres de manteiga

• 2 colheres de farinha de trigo

• 100 g de presunto cru cortado à juliana

• 40 g de parmesão

• 10 g de salsinha

• Sal a gosto

Cozinhe a massa em água abundante, com um fio de óleo. Paralelamente, ferva, em outra panela, o leite, o creme de leite e a manteiga.

A seguir, acrescente a farinha de trigo previamente desmanchada em água morna. Mexa sem parar até engrossar. Adicione o presunto cru. Escorra a massa cozida al dente, cubra-a com molho, salpique salsinha e sirva quente.

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Penne com brócolis ao aglio, olio e olive

(2 porções)

• 250 g de penne

• 250 g de brócolis

• Azeite para refogar

• 10 g de alho para fritar

• Azeitonas pretas

• Sal a gosto

Cozinhe os brócolis e reserve. Numa frigideira, frite o alho no azeite. A seguir acrescente os brócolis picados e refogue. Cozinhe a massa em abundante água fervente, com um fio de óleo e sal a gosto.

Escorra quando estiver al dente e coloque-a na frigideira com os brócolis. Misture delicadamente. Disponha a massa numa travessa, guarneça com as azeitonas e sirva quente.

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Berinjela assada

(6 porções)

• 4 berinjelas com a casca

• 4 colheres de sopa de água com sal

• 4 xícaras de café de azeite de oliva

• 2 colheres de sopa de orégano

• Óleo para untar a forma

Montagem

• Folhas de alface

• Folhas de rúcula

• Folhas de agrião

• Tomate-cereja a gosto

• Tomate comum

• Azeitonas a gosto

• Pimentões vermelhos a gosto

Preparo da berinjela

Corte as berinjelas ao comprido, em fatias não muito finas. Coloque-as de molho na água com sal, durante dez minutos.

Deixe as fatias escorrendo em pé, no escorredor de massa. Depois seque-as com uma toalha de papel.

Unte uma assadeira (não aderente) com óleo. Disponha as berinjelas na assadeira e asse-as em forno médio.Quando começarem a assar, pulverize-as com o orégano, vá regando-as com o azeite e virando-as de vez em quando.

Caso fiquem, secas, regue-as com um pouco mais de azeite.

* O processo dura mais ou menos uma hora.

Montagem

Arrume em uma saladeira ou prato a alface, a rúcula e o agrião. Coloque as berinjelas e decore-as com tomate-cereja, rosas de tomate comum e azeitonas. Espete os pimentões em um garfo e asse-os na chama do fogão, até ficarem pretos. Raspe a casca preta, corte os pimentões em fatias ao comprido e junte-os ao prato.