08 de julho de 2026
Regional

Hidroavião Jahú está sendo restaurado

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O hidroavião Jahú, que fez a primeira travessia do Atlântico, em 1927, façanha do piloto brasileiro João Ribeiro de Barros, vai voltar à vida. O avião, que estava abandonado, sob ataque de cupins, está sendo restaurado e pode estar pronto em setembro de 2006, quando se completam 100 anos do vôo pioneiro de Santos Dumont, em Paris.

Por enquanto, um dos dois flutuadores de madeira já está 50% restaurado. De acordo com João Zeferino Ferreira Velloso, dono da empresa Helipark, que comanda a restauração, essa parte equivale a 10% do serviço total, cotado em R$ 1 milhão. “Os recursos serão de parceiros privados. Não teremos dinheiro público no projeto”, explicou, durante a apresentação do projeto de restauro na empresa, especializada em manutenção de helicópteros.

Mesmo no início da restauração, o avião de madeira, fabricado na Itália, que atravessou o Atlântico 23 dias antes da travessia do piloto americano Charles Lindbergh, impressiona. Sem navegação por métodos eletrônicos, Ribeiro de Barros realizou uma façanha que fez com que fosse recebido como herói, ao pousar na Represa de Guarapiranga, em 2 de agosto de 1927, depois de sair de Gênova, na Itália, em 13 de outubro de 1926.

Desafio

“Na época, o seu feito equivalia a fazer uma viagem à lua. Foi mais surpreendente ainda por partir de um piloto de um País pobre, desafiando os colegas dos Estados Unidos, que, com muito mais recursos e condições, sonhavam em cruzar o Atlântico”, afirmou o sobrinho do piloto, José Ribeiro de Barros Filho.

Ele só lamenta que o antepassado famoso seja tão pouco conhecido no Brasil. “Tenho 200 jornais da época, que destacam o feito, mas nenhuma enciclopédia conta sua história.”

Na Itália, a história tem outra importância. Tanto que a própria Aeronautica Militare Italiana, a Força Aérea daquele país, está fazendo uma réplica do avião - o último do mundo em sua categoria - e vai fabricar peças em duplicata para o aparelho que está no Brasil. “O povo de Gênova tem grande interesse no renascimento do Jahú”, disse o representante da autoridade portuária de Gênova, Gian Battista Serra.

O Jahú ficava no Museu da Aeronáutica, que dividia a Oca do Parque do Ibirapuera, com o Museu do Folclore. Em processo de deterioração acelerado, o avião foi retirado da Oca em 1999, quando o espaço foi cedido pelo então prefeito Celso Pitta à empresa Brasil Connects. Depois, ficou guardado no hangar da Polícia Militar no Campo de Marte.

“Se não fosse restaurado, acabaria se perdendo, assim como este belo pedaço da história”, disse a diretora do Museu da Aeronáutica, Valquíria Rigonatti.

Os próximos passos são restaurar os aviões da aviadora Ada Rogato, também sob a guarda do museu, ligado à Fundação Santos Dumont. As luvas, a touca e os óculos do piloto já foram restaurados.

Sala exclusiva

A secretária municipal de Cultura e Turismo de Jaú, Lucy Rossi Monari, disse que pretende tentar trazer o hidroavião para a cidade. Mas sabe que não será fácil. Segundo ela, o pedido já foi negado outras vezes, sob a alegação de que a aeronave é um patrimônio nacional.

Há exatamente um ano, a secretaria inaugurou um espaço exclusivo dedicado ao aviador jauense, no Museu Municipal.

Entre o acervo reunido pela secretaria para compor a sala estão cópias do diário de bordo do aviador, escrito durante a travessia, revistas da época que registraram a viagem inédita, e fotos da recepção calorosa que tiveram os tripulantes do hidroavião, quando retornaram ao Brasil.

Quem visita a sala pode ver de perto a hélice suplementar do monomotor, feita de madeira e com mais de dois metros de comprimento.

Do acervo pessoal, estão no museu a cadeira de balanço, a cama e o berço que foram usados pelo aviador. Muitos desses objetos foram doados para o município.