11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Greve de fome leva grevista para o hospital

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

A servidora do Fórum de Bauru Luciana Dias Duarte, que há nove dias iniciou uma greve de fome juntamente com o marido - o também servidor da Justiça Estadual Benedito José Almeida Falcão -, passou mal ontem e foi internada no Hospital da Unimed para uma série de exames. O casal decidiu começar a greve de fome para protestar contra o impasse nas negociações salariais da categoria com o Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo.

Mesmo diante do quadro de agravamento da saúde da esposa, ontem Falcão afirmou que continuará acampado em frente ao prédio do Fórum e fazendo greve de fome. Desde que começaram o protesto, eles estão apenas tomando água, água de côco e soro via oral.

“Nossa luta é por uma causa tão justa que nos motiva a seguir em frente. No final de semana, a Luciana começou a sentir dor nos rins e já estava bastante debilitada. Eu estou bem fraco, mas não vou parar (com a greve de fome). Vou continuar acampado em frente ao Fórum até que o TJ decida reabrir as negociações”, afirma Falcão. Na semana passada, o casal já havia sido atendido por um médico, que orientou a interrupção do jejum.

Ainda ontem, Falcão usou a tribuna livre da Câmara Municipal. Como sua entidade não havia pedido oficialmente o uso da tribuna, os vereadores suspenderam a sessão para que ele usasse a palavra. O servidor criticou o comando do Poder Judiciário, que não cumpriu com o acordo firmado com os representantes da categoria. Seu discurso endureceu ao mencionar que os magistrados têm direito a lanches durante o expediente de trabalho enquanto os servidores são obrigados a conviver com salários defasados.

Os servidores da Justiça paulista deflagraram greve em todo o Estado há dois meses, reivindicando o reajuste salarial de 26,39% que chegou a ser aprovado pelos desembargadores do TJ, mas até hoje não foi concedido.

Ontem, a assessoria de imprensa do TJ informou que as negociações não estão suspensas, mas que o máximo que o órgão pode oferecer é o reajuste de 10% - negado pelos grevistas em assembléia no mês passado. Sobre a greve de fome do casal de Bauru, a assessoria disse que o presidente do TJ, Luiz Elias Tâmbara, se preocupa e lamenta o fato, mas que não há condições de avançar na proposta.

Em Bauru, a adesão à greve continua em torno de 85% do total de 400 funcionários. No Estado, o percentual é de 80%. Para hoje, às 11h, está marcada uma assembléia regional em Bauru, que discutirá os rumos da paralisação.