Desde que iniciou suas atividades, em 2000, até este ano, a Estação Aduaneira do Interior (Eadi-Bauru) viu sua lista de empresas cadastradas aumentar 231%, passando de 77 clientes para os atuais 255 que utilizam a estação para exportar. Apesar da Eadi ser responsável por cerca de 30% do total das exportações na região, o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, afirma que o crescimento da participação no mercado externo também ocorre com muitas empresas que utilizam outras vias para escoar a produção.
De acordo com o diretor comercial da Eadi, Maurício Moura, nos primeiros sete meses deste ano o volume de exportações (em valores) registrado pela aduaneira já ultrapassa em 38,34% o total contabilizado no mesmo período do ano passado. “Nossa estimativa é de que vamos fechar 2004 com um crescimento total no volume de exportações em torno de 20% sobre o ano passado”, observa.
Segundo Simonelli, Bauru tem uma série de empresas com grande potencial para começar a exportar e também para ampliar as relações comerciais com outros países.
“Temos empresas dos mais variados segmentos, de Bauru e região, que exportam atualmente. Entre eles, papelaria, alimentício, baterias, carne bovina, metal mecânico, materiais elétricos, e outros. Essas empresas competem lá fora com produtos de altíssima qualidade. O que às vezes dificulta as coisas, dependendo do segmento e dos países concorrentes, é a competitividade em termos de preços, além da burocracia”, destaca.
A principal empresa do setor gráfico da cidade exporta atualmente para 15 países, entre os quais detém participação expressiva no Chile, Argentina e República Dominicana, além de figurar na 13.ª colocação do ranking das Melhores Empresas do Setor de Papel e Celulose elaborado pela revista Exame, duas posições a mais do que em 2003.
Bauru também é referência nacional nas áreas de produtos plásticos, baterias e máquinas elétricas. Outra vocação está no setor alimentício, responsável por 28,13% de toda a produção local, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de 2002.
“A quantidade de empresas exportadoras vai aumentar demais na região de Bauru, porque muitos empresários ainda têm uma postura muito tímida diante do mercado externo. Há muitos que ainda não acreditam no seu potencial exportador, sem falar em barreiras como não ter um funcionário chave para negociar que saiba falar outros idiomas, por exemplo. Mas isso vai mudar num período de tempo bem curto”, avalia Simonelli.
O diretor comercial da Eadi observa que é muito grande o número de empresas que podem passar a utilizar a estação aduaneira para facilitar o envio de sua produção ao Exterior. Em diversos casos, como no das fábricas de móveis da região, as cargas têm que passar pelo Porto de Santos porque é necessária a inspeção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) - prática realizada somente naquele local.
“Quando isso mudar, as fábricas (de móveis) da região passarão a exportar por aqui. Afora isso, temos aqui na Eadi uma equipe permanente do SIF (Sistema de Inspeção Federal) para inspecionar cargas de produtos agrícolas, o pessoal do Exército faz isso com os produtos químicos, corrosivos e explosivos e contamos com o apoio da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sempre que solicitada”, detalha Moura.
Existe na Eadi-Bauru um terminal ferroviário que permite que as cargas sejam levadas pela linha férrea até Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.
Moura aponta, também, para um dado interessante que é o fato de a instalação da Eadi-Bauru ter resultado indiretamente na geração de empregos. “Em 1999 só existia uma empresa de despacho aduaneiro em Bauru, com apenas dois funcionários. Hoje são três empresas, com uma média de sete empregados cada uma.” A Eadi possui 42 funcionários diretos.