09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Voto nulo ou voto em branco"


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Vez ou outra nesta democrática “Tribuna” aparece algum artigo que apregoa ou que faz certa apologia à alternativa do voto nulo ou do voto em branco para as próximas eleições municipais (03/out). No entanto, tais “sugestões” autorizam uma leitura negativa a respeito da democracia participativa, não contribuindo em nada para a formação da consciência cívica e para o exercício da cidadania. Evidentemente que vivemos num regime democrático, com liberdade de expressão, onde a pluralidade das opiniões é valor a ser respeitado. Mas qual a contribuição que esta omissão e infantil postura que traz à tona a face oculta da política (interesse anti-social da política) pode dar-nos? Qual a lição de cidadania que esta “rebeldia-sem causa” que beira ao escárnio pode dar-nos? Não é difícil entender o desencanto do eleitor para com a classe política que aí está e, no caso específico da cidade de Bauru, é compreensível que a população veja nossos políticos com sentimentos muito negativos como baixa-estima e baixo-respeito, já que rasgaram o tecido político-partidário e social da cidade, mas nem por isso devemos perder uma oportunidade que bate às nossas portas a cada quatro anos. Será que vale a pena jogarmos nosso voto no lixo (voto nulo ou branco) e desperdiçarmos a oportunidade de corrigirmos nossos erros passados será? Sempre terá aquele que vai dizer: quer dizer que eu não posso votar em branco ou mesmo anular o meu voto? Sim, você pode, mas não é uma atitude inteligente, ao contrário, ao anular o seu voto, de certa forma você estará anulando a si mesmo; e é bom não esquecer que todo esse “charminho” tem um custo político. Com que direito você eleitor ao omitir-se nessa questão poderá depois reivindicar ou mesmo reclamar de alguma coisa?

Já se disse que o voto no Brasil não deveria ser obrigatório, mas será que o País está maduro o suficiente para este avanço democrático? Eu penso que não, e, só para exemplificar melhor esta questão, vejamos a situação vexatória da Venezuela, onde o voto não é obrigatório e que ridiculamente se resume assim: 1/3 da população do País quer que o presidente Chaves fique no poder; 1/3 da população do país quer que o Presidente Chaves saia; e 1/3 da população não sabe se quer que o presidente Chaves fique ou saia do poder, e o resto da população mundial simplesmente ignora a Venezuela. Tem cabimento isso? Será que é isso que queremos para o Brasil? Nos Estados Unidos (USA), o voto também não é obrigatório, mas é gritante a diferença que existe na política de Washington (Casa Branca) e a política de Caracas (Palácio Miraflores), sendo que a população mundial percebe isso. De qualquer forma, eleição é coisa séria e ao votarem os eleitores decidem quem vai governar-nos segundo a vontade popular (Vox Populi) e os princípios democráticos. No entanto, uma simples escolha às vezes é algo bem difícil, são tantas as vozes que ecoam pelas ruas e pela mídia, são tantos os candidatos a prefeito e ainda mais para vereador que pode parecer difícil mesmo separar o joio do trigo, separar a emoção da razão. Mas, eleitor, não se deixe enganar, seja fiel a seu instinto político e um bom começo pra não errar é sempre votar em alguém; nunca em ninguém. Agora, o voto é secreto e o seu voto é problema seu, mas o resultado dele é problema nosso, porque o que vai acontecer nesta eleição terá consequências no cotidiano de toda a coletividade bauruense. Pense nisso, e faça responsavelmente a sua parte, para que depois você não diga para si mesmo: “Como pude ser tão idiota”!

Aurélio da Silva Braga - RG 12912493