08 de julho de 2026
Bairros

População reclama de abandono

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Viver no Jardim Ivone não é fácil. É o que afirmam moradores do bairro que reclamam das inúmeras carências do local, entre elas falta de saneamento básico, energia elétrica, pavimentação, violência, programas públicos de assistência social, entre outras coisas.

Grande parte deles afirma que mudaria para outro bairro se tivesse oportunidade. Os moradores da favela - a parte baixa do bairro, às margens do córrego - dizem que o Jardim Ivone não foi uma escolha, mas a única alternativa.

Adriana Barbosa, 23 anos, mora há dois anos na favela do Jardim Ivone. Ela vive com o marido e uma filha. “Eu morava na favela do Jardim Flórida e vim para cá. Não dá para pagar aluguel. Está difícil”, conta.

Ela diz que o bairro é bom, exceto pelos “problemas de sempre”. “É tudo. Não tem esgoto, tem muito lixo acumulado, cachorros doentes, um monte de coisas. A tubulação de água foi improvisada. O esgoto vai para o córrego e a energia elétrica nós conseguimos através de ‘gatos’”, relata.

Adriana conta que a falta de alimentos nas casas do Jardim Ivone é uma constante. “A compra não dá para o mês. Estamos sempre emprestando algumas coisas. Remédio também não dá para comprar. Se a gente compra, falta ainda mais comida. Roupa não dá para comprar. O dinheiro é só para comer”, afirma.

Sidnéia Oliveira dos Santos, 24 anos, reclama da ausência de programas públicos de assistência a famílias carentes no bairro. “Não conhecemos nenhum programa. Só algumas pessoas daqui conseguiram fazer inscrição no Bolsa-Família. Só isso”, lamenta.

A moradora reclama também do transporte. “Aqui deveria ter mais ônibus. Só tem um que vai para o Centro e demora muito”, diz.

Valdir Alves Teodoro, 45 anos, mora no Jardim Ivone há dez anos e faz bicos como pintor para sobreviver. “As condições aqui são precárias. Somos um povo esquecido pelo governo. Somos abandonados. É um lugar triste para viver, criar filhos, etc”, enfatiza.

Ele afirma que os moradores do bairro são discrimidados e dificilmente conseguem emprego por morar no Jardim Ivone. “Se falar que é da favela, o pessoal não dá aquele crédito que a gente espera. A maioria aqui vive desempregada e vive de bicos. Por isso eu não gosto daqui”, justifica.

Rosilei Aparecida da Silva Prado, 31 anos, tem na ponta da língua uma imensa lista de reclamações sobre o local onde mora há seis anos. “Eu não gosto porque não tem posto de saúde, não tem ônibus, não tem mercado por perto, não tem nada. Falta asfalto também”, expõe.

Além disso, as ruas do bairro ficam intransitáveis principalmente em períodos de chuva. “Se eu pudesse, eu mudaria para outro lugar. Eu iria para o Mary Dota porque lá tem tudo”, compara.

Para a comerciante Maria Aparecida Neves, dona de um dos poucos bares do bairro, um dos principais problemas é a violência.

“Estamos precisando de muita coisa aqui. Principalmente um posto policial. Deu uma paradinha, mas já mataram muitos aqui. Tem muito roubo e muita violência. Levam panela, televisão, botijão de gás e até pacotes de arroz.” Maria destaca que outro ponto negativo é a escola já que as crianças precisam travessar a rodovia para freqüentar as aulas numa unidade da Vila São Paulo.

O aposentado Nelson Alves da Silva, 64 anos, concorda. “A gente fica preocupado e acaba tendo de levar as crianças”, diz.

Na opinião dele, o bairro está abandonado. “Adaptamos água e energia elétrica, através de gato. “Não pagamos água nem luz e gostaríamos que a prefeitura legalizasse nossa situação porque estamos dispostos a pagar”, frisa.

Como outros moradores, ele também reclama do transporte. “É um ônibus só que passa pelo bairro. Demora quase duas horas”, salienta.