08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Consciência? Que nada!


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Como brasileiro, e eleitor, fico pasmo com declarações de pessoas de meu relacionamento, a maioria delas cultas, “inteligentes”, bem resolvidas e de boa situação financeira, que ao serem indagadas sobre o sufrágio eleitoral que se avizinha, me respondem o seguinte: vou votar em um amigo, pois se ele se der bem eu também estarei numa boa. Outros respondem: O quê? Vou votar no cara da minha rua, pois ele é gente fina e caso eu precise de algum favor particular, é pra ele que vou pedir. Há até aqueles que justificam seu voto com essa célebre frase: branco vota em branco e negro vota em negro. O cara é da minha religião e por isso vou votar nele. Jogo futebol com ele e sei que ele merece chegar lá. Os ricos precisam de representantes na Câmara, por isso vou votar no meu amigo, afinal, somos a classe dominante e sem nós a cidade não anda. E por aí vão as razões de um voto que determina o futuro da cidade, do estado e do país.

Diante dessas declarações, para espanto de todos nós, observamos que qualidades para um bom candidato são deixadas de lado pelos mais diversos motivos e interesses. O fato do sujeito ser um bom legislador, ser ativista político, ser dotado de um histórico de compromisso com o bem-estar de todos os cidadãos, ser um bom pai, bom cidadão, respeitador, gostar do que faz, não buscar interesses próprios, batalhar pelos menos afortunados e desempregados, não têm a menor importância para uma boa parte de nossos eleitores na hora da votação. Não se examinam os reais motivos que levam alguém a pleitear o cargo de vereador, não

se espera que o edil eleito lute pelo bem de todos, mas sim em prol de um segmento da sociedade ou de apenas um grupo em particular. Assim vai mal. Que consciência política que nada. A lei de “Gerson” ainda está impregnada na alma de muitos brasileiros e em muitos setores de nossa sociedade. Desanimadamente constatamos isso a cada nova eleição. Será que a função dos vereadores é

representar apenas aqueles que lhes interessam? Não seriam eles os representantes de uma sociedade como um todo, independente de raça, de credo, de profissão, de condição financeira ou da formação escolar dos eleitores? Termino esse pequeno desabafo com uma frase que ouvi de uma colega de trabalho: cada povo tem o governo que merece!

Ubiratan Cássio Sanches - RG 4065386783