09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Tarifas bancárias podem variar 93%

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo os mais desatentos e desorganizados com as próprias finanças sabem o quanto pesam as tarifas cobradas pelas instituições bancárias. Extratos, folhas de cheque, transferências e saques são serviços cobrados pela maioria dos bancos e que têm custo diferente em cada um deles. De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ABDC) publicada na edição n.º 28 da revista Pro Teste, a diferença entre as tarifas pode ultrapassar 93%.

Ao consumidor, cabe a atitude de se informar em seu banco e contornar as taxas ao optar por um plano de serviços que se enquadre em seu perfil, podendo economizar até R$ 500,00 por ano.

A ABDC analisou o custo das operações avulsas e das cestas de serviços de 14 bancos. As opções de pacotes são variáveis em cada instituição, mas, em resumo, oferecem extratos, saques em caixas eletrônicos, cartão de débito, cheques e transferências, em quantidades diferentes. Os clientes que não possuem contrato de cestas pagam pelos serviços a cada utilização.

Enquanto um cliente sem cesta de serviços do Banco do Brasil paga, em média, R$ 242,40 por ano em tarifas, um correntista do Banespa terá R$ 445,00 descontados de sua conta ao longo de 12 meses. A diferença chega a 93,2%, considerando um correntista que utiliza por mês 10 folhas de cheque, faz duas transferências, seis saques em terminais e tira dois extratos.

O custo das cestas também varia. Segundo a pesquisa, há pacotes entre R$ 3,50 mensais (R$ 42,00 ao ano) e R$ 36,00 (R$ 432,00 ao ano). O custo médio foi de R$ 14,30 por mês. Para um correntista que usa 20 folhas de cheque por mês e faz 10 saques em terminais, o custo anual pode chegar a R$ 662,40, no Banespa, sendo que há pacotes para esse perfil com valor anual de R$ 108,00 no Bank Boston, por exemplo. A economia seria de mais de R$ 500,00.

O economista Fernando Pinho destaca que a escolha por uma instituição e por uma cesta de serviços deve preferencialmente ter base na relação custo-benefício para cada cliente. “Não basta simplesmente comparar. É interessante adotar um procedimento lógico: listar as operações mais utilizadas e ver quanto cada banco cobra em cada serviço”, aponta.

Ele orienta que os correntistas devem procurar os gerentes das agências ou mesmo os cartazes que todos os bancos mantêm com as tarifas cobradas para cada serviço ou cesta. “As cestas são parecidas, têm um número X de extratos, de folhas de cheque e saques nos caixas por mês. O ideal é listar às quais mais você recorre e se enquadrar nas cestas”, indica Pinho.

O economista alerta também para a utilização de serviços de modo desnecessário. “A pessoa que não tem um saldo alto nem aplicações durante o mês não precisa ficar tirando extratos e fazendo saques diariamente. É melhor controlar em casa ou até mesmo sacar uma quantia maior, para ir gastando ao correr dos dias”, observa.

Indignação

Na opinião do autônomo Arlindo Augusto Vasconi, a cobrança das tarifas pelas instituições bancárias é um desrespeito com os consumidores. Ele registrou uma queixa no Procon por conta de aumentos que considera abusivos nas taxas cobradas pelos serviços que utiliza.

“Quando abri a conta, pagava R$ 3,00. Depois subiu para R$ 7,00 e me ofereceram um pacote de serviços por R$ 6,00. Eu tinha cheque, mas tinha de pagar para sacar dinheiro. Agora, subiu para R$ 9,00 e nem me avisaram do aumento”, queixa-se Vasconi.

O coordenador do Procon em Bauru, Sílvio Orti, explica que as tarifas são permitidas pelo Banco Central e que o órgão não oferece amparo aos correntistas que efetuam reclamações, a não ser em casos de anormalidade. Ainda assim, Orti estima que 20% das pessoas que procuram o Procon levam queixas sobre os bancos.

“O Banco Central autoriza a cobrança, mas o índice de insatisfação é grande. O consumidor, no entanto, tem direito a ser informado. Todos os bancos devem manter avisos com o custo das tarifas em local visível”, esclarece.