De acordo com o Ministério da Saúde, as ações de imunização no Brasil começaram há cerca de 100 anos e trouxeram resultados importantes como
a erradicação da varíola e da poliomielite. A criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 1973, é considerada um passo fundamental para essas conquistas. No próximo dia 18, o PNI completa 31 anos de existência.
Uma das primeiras vitórias da vacinação no Brasil foi constatada logo no segundo ano de existência do PNI, em 1975, quando o Brasil recebeu da Organização Mundial de Saúde (OMS) o certificado de erradicação da varíola.
Com uma redução drástica na incidência desta e de outras doenças, uma diminuição nos custos com tratamentos e uma queda sensível dos índices de morbidade (seqüelas) e mortalidade, o governo decidiu intensificar suas ações. Em 1980 foi lançada a primeira campanha nacional de vacinação contra a poliomielite.
Conhecida como paralisia infantil, a doença atingia cerca de 3 mil brasileiros por ano naquela época. Segundo o ministério, o último registro da poliomielite no Brasil ocorreu em 1989. Em 1994, o País recebeu da OMS seu segundo certificado de erradicação. A doença estava extinta em todo o continente americano.
Para se ter uma idéia da importância desta conquista, os países do Pacífico Ocidental receberam o reconhecimento no ano 2000. A Europa só conseguiu o mesmo certificado em 2002. De acordo com a OMS, a África, o sudeste da Ásia e o Mediterrâneo ainda não têm a certificação.
Nos últimos quatro anos, 12 países dessas regiões registraram casos da doença: Angola, Etiópia, Madagascar, Mauritânia, Niger, Nigéria, Índia, Afeganistão, Egito, Paquistão, Somália e Sudão. Por isso é tão importante manter as campanhas de vacinação. O risco de que haja uma reintrodução do vírus selvagem no País ainda existe.
O Ministério da Saúde salienta que o programa brasileiro de imunizações é considerado pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas) um dos melhores do mundo.
Cinco fatores contribuem para isso: a gratuidade das vacinas, o número e a qualidade de imunobiológicos oferecidos à população, as altas coberturas vacinais alcançadas - sempre superiores aos 80% preconizados pela OMS -, a dimensão geográfica e demográfica do País e o impacto do programa sobre as doenças imunopreveníveis.
Os números confirmam essa eficácia. O Brasil não apresenta casos de sarampo há três anos e reduziu consideravelmenteas mortes por difteria (99%), coqueluche (97%), tétano acidental (83%) e tétano neonatal (94,3%).
Recentemente, o PNI realizou uma importante campanha de vacinação de mulheres contra a rubéola, para prevenir a síndrome da rubéola congênita. Em apenas dois anos, a campanha conseguiu reduzir o número de casos em aproximadamente 80%.
Além das campanhas, o Brasil mantém umavacinação de rotina, realizada diariamente em milhares de postos de saúde espalhados pelo País. Atualmente, o PNI conta com 13 vacinas disponíveis em aproximadamente 23 mil postos de saúde distribuídos entre os 5.560 municípios brasileiros.
Mesmo com tantas vitórias, oMinistério da Saúde salienta que o PNI ainda tem muitas metas a alcançar, como evitar que doenças erradicadas voltem, consolidar a eliminação do sarampo, fortalecer a produção de vacinas em laboratórios internacionais, investir em pesquisas e fortalecer o processo de educação e promoção de saúde.