A busca pela palavra de Deus, seja em momentos difíceis ou não, faz girar a roda financeira do setor de produtos religiosos. Levantamento recente mostra que esse mercado movimenta R$ 11 bilhões por ano em todo o País, sendo cerca de R$ 6,6 bilhões somente no Estado de São Paulo. Do volume total, aproximadamente R$ 8 bilhões seriam referentes aos lucros com a comercialização anual de produtos católicos.
Denise Bortolato, gerente de uma livraria evangélica de Bauru, diz que os campeões de vendas na loja são os CDs de cantores gospel. Em seguida vêm a Bíblia e os livros - cuja variedade é imensa. O preço das Bíblias varia de R$ 12,00 a R$ 150,00. As mais caras são para estudo do livro sagrado, com informações mais completas.
“Os evangélicos sempre foram conhecidos por seu gosto pela leitura. Então, os livros e as Bíblias têm grande saída. Mas atualmente, os CDs estão em primeiro lugar e são preferidos, principalmente, pelo público mais jovem. A grande variedade de títulos (de CDs) também faz com que eles figurem entre os produtos mais vendidos para presentear”, observa Denise.
A gerente diz que o público que procura pelos produtos comercializados na loja é bem diversificado no que diz respeito à idade. “Não há uma faixa etária que se sobressaia, apesar de os jovens se interessarem bastante. Eles (os jovens) também gostam bastante das camisetas com mensagens bíblicas e de acessórios, como canetas e adesivos.”
Com três anos de atividades, a livraria já cresceu e oferece um atendimento diferenciado, com terminais para ouvir os CDs e um local para folhear os livros antes do consumidor decidir pela compra.
O mercado de produtos evangélicos movimenta cerca de R$ 3 bilhões ao ano. Segundo o último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000 o Brasil tinha 26.184.941 evangélicos assumidos. Atualmente, este número já teria ultrapassado a marca de 50 milhões.
São Paulo tem a terceira maior concentração de evangélicos do País - perdendo apenas para Rondônia e Rio de Janeiro - e é o Estado que mais comercializa produtos. Entre os dias 15 e 19 deste mês será realizada a terceira edição da Feira Internacional do Consumidor Cristão (Ficoc), em São Paulo. Cerca de 30 mil pessoas são esperadas durante o evento, com previsão de faturamento em torno de R$ 150 milhões.
Bíblia
Em uma livraria católica de Bauru em funcionamento há dez anos, o proprietário José Roberto Fazzio diz que os campeões de vendas são os terços, com diversos modelos para todos os gostos. Mas a Bíblia está em primeiro lugar na performance de vendas entre os livros. No mês de agosto foram comercializados 394 exemplares.
“A cada mês, a religião católica trabalha com um tema diferente. Setembro, por exemplo, é o mês da Bíblia. Em agosto comemoramos o ano vocacional. Então, neste mês certamente teremos um incremento no volume de Bíblias comercializadas. A Bíblia está entre os livros mais vendidos do mundo, e o Brasil é um dos recordistas (no volume de vendas)”, aponta Fazzio.
Segundo ele, o aumento nas vendas de produtos católicos em geral verifica-se a cada ano. Entre eles, os CDs tiveram um salto significativo no volume de comercialização. “Durante esses dez anos, muitas lojas e livrarias católicas foram abertas na cidade. Além dos compradores habituais, sempre que uma pessoa está enfrentando momentos difíceis ela procura consolo nas palavras de Deus.” Em julho, a loja foi ampliada.
De hoje até domingo, será realizada em São Paulo a segunda edição da feira Expocatólica, que só será aberta ao público nos dois últimos dias do evento.
Leopoldo Zanardi, que administra a livraria do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) em Bauru, diz que o campeão de vendas é o Evangelho (os quatro livros) à luz da doutrina espírita, de Alan Kardec. “Cerca de 100 exemplares são vendidos por mês, somando todos os tipos, que vêm nas versões capa dura, espiral, diversas traduções e editoras e de formatos variados”, observa.
A loja vende livros, revistas e CDs, que estão entre os preferidos na hora de presentear alguém, além de outras obras de Kardec e outros autores. O público consumidor é de idade bastante variada, segundo Zanardi.
“Acredito que o clube do livro do Ceac estimula muito as pessoas a ler mais. Atualmente temos mais de 400 participantes deste círculo somente aqui no centro. Mas a procura por produtos em geral tem crescido gradativamente, assim como a participação das pessoas nos cursos que oferecemos semanalmente.”