08 de julho de 2026
Articulistas

Comunicação verbal


| Tempo de leitura: 2 min

Não tem a fonoaudiologia algo de remoto, de perder de vista, podendo dizer-se, porém, que na antigüidade os problemas relacionados com distúrbios da fala eram vistos somente no que tange à estética. Nada além disso... Conseqüentemente, só os eruditos e ricos, da alta sociedade, preocupavam-se com tais anomalias vocais. Há exemplos antiquíssimos que merecem ser historicamente lembrados, caso de Demóstenes, o grego gago (?) que só conseguiu superar suas dificuldades de expressão com o uso de muita boa vontade. Mas foi Hipócrates quem primeiro escreveu a respeito da gaguice, classificada como decorrência de acidentes vasculares cerebrais e outras deficiências das pessoas. Desde então tais problemas começaram a aguçar a preocupação da medicina através de clínicos como Celsus e Galeno. Contudo, somente no século XIX surgiram cuidados maiores quanto à fisiologia e a patologia dos sons vocais, principalmente os veiculados por Itard Kussmaul e Alexander Graham Bell, partindo do segundo enfoques defendendo a necessidade da educação da fala nos educandários e mesmo nas famílias. Mas, foi no século XX que se esboçaram fundamentos totalmente precisos, físicos e psicológicos, da comunicação verbal humana, assim como suas correlações sociais, culturais e econômicas. Foi a partir de então que os médicos lançaram-se à busca da cura e da adaptação ou readaptação de seus clientes mais específicos, nascendo então na medicina duas novas especializações: a Foniatria e a Fonoaudiologia, as quais, não obstante recentes, encontram no Brasil sentido de muita importância dada a sua implicação no contexto da articulação verbal. Têm elas aqui, então, curso educacional de nível superior, com duração média de cinco a sete semestres, reunindo matérias como Bases Morfofuncionais, Fonoaudiologia fundamental, Técnicas de Reabilitação Foniátrica, Avaliação Audiométrica, Próteses Auditivas, Educação de surdos, Psicologia aplicada, Elementos de Pedagogia e Didática Especial, Elementos de Lingüística e Fundamentos da Ética Profissional. Não se contesta, então, a partir de então a extraordinária importância de que se reveste a matéria, prevenindo distúrbios que possam impedir ou dificultar o desenvolvimento da personalidade humana. Bem se diz que é falando que se entende. Então, o que pode acontecer com quem não fala inteligivelmente?

O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC. “É atitude muito sábia considerar os outros mais dignos e importantes que a gente, pois a riqueza maior está na pobreza”.