10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A corrupção, os três "p" e o Ministério Público


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Cadeia no Brasil sempre foi sinônimo de pobre, preto e prostituta. Setores da casagrande sempre nadaram de braçada ao praticarem a improbidade e a patifaria com o dinheiro público e desta vergonhosa forma enriquecem-se ilicitamente.

O Ministério Público, depois da Constituição de 1988, passou a investigar crimes e corrupção contra o erário público. Depois desta iniciativa nós estamos vendo aos poucos alguns empresários, políticos, autoridades e tubarões serem denunciados e até presos. Nada mais justo, mesmo porque todos são iguais perante a lei e até acho que as pessoas bem abastadas que cometem crimes de colarinho branco deveriam pegar prisão perpétua. Num país onde milhões passam fome é inadmissível gente bem de vida meter a mão.

Mas o belíssimo trabalho do Ministério Público começou incomodar o bloco unidos do achaque nacional. Muitos corruptos estão em pânico e rangendo os dentes por causa dessa atuação e até alguns dirigentes do partido que chegou ao poder e infelizmente usa a máxima hipócrita do “esqueçam o que escrevi e preguei”, andaram dizendo publicamente que era preciso frear o ímpeto do Ministério Público. Logo o partido que quando era da oposição fazia denúncias diariamente ao Ministério Público.

Os apóstolos da decência fingida utilizam o insuficiente argumento de que constitucionalmente a investigação é exclusiva das polícias e não das promotorias. Não há lógica nesta visão até porque a Receita Federal, o Tribunal de Contas, as comissões parlamentares de inquérito também investigam e é estranho que aqueles questionadores do poder do MP, não citam estes outros órgãos.

As polícias civil, militar e federal são subordinadas a governantes políticos e, neste caso, um telefonema do “assessor do homem” pode barrar qualquer investigação, e em se tratando de Brasil isto sempre acontece. Alguém pode até discordar do que estou falando, mas seria bom que explicasse por que, antes de 88, não tinha nenhum político ou autoridade atrás das grades?

O Ministério Público não é perfeito, mesmo porque é composto por seres humanos. Mas daí querer amordaçar a entidade por causa de exageros de um ou dois promotores soa ridículo, patético e abominável. Atrás desta tentativa de proibição que está sendo votada no Supremo Tribunal, está a pressão da banda podre da política nacional.

Nós, enquanto sociedade, temos que somar com o Ministério Público. O xilindró deve ser para todos os que cometem crimes e não só para preto, pobre e prostituta. Uma nação onde se tolera o “rouba mas faz” e também o “bom ladrão”, não pode ser considerada séria. Se o MP perder, a rataiada promete um imenso carnaval.

PS - Vida longa ao Hugo Chavez, que derrotou democraticamente a mesquinharia da elite na Venezuela. Aqui no Brasil o partido operário chegou lá, mas ao invés de virar a mesa por enquanto está comendo no mesmo prato.

Pedro Valentim - RG 19.198.011-0)