Diziam que depois do ataque de 11 de Setembro Nova York não seria mais a mesma. Como duas grandes antenas a captar e enviar sinais para o mundo, as Torres Gêmeas ratificaram sua condição de símbolo, metáforas do progresso e da ousadia humana.
Nas visitas que fiz à cidade, não cheguei a subir naquelas torres. O Empire era mais acessível. Uma caminhada pela Quarenta e Oito até o grande edifício podia ser emoldurada com aquela ascensão vertiginosa e com a exuberante vista de se perder o fôlego.
Enquanto isso, cenas do quotidiano estariam ocorrendo lá embaixo, não menos deslumbrantes ou emocionantes para o turista e o cidadão comum que adotara aquela vibrante cidade como sua.
Poderia ser uma visita ao Frick Collection, onde a arte e a criação humana desfilavam defronte do olhar do visitante apressado, ou uma caminhada despreocupada pelos meandros do Grande Parque, hiato verde e paradoxal em meio aos blocos de concreto e avenidas. Poderia ser um inesperado show de Frank Sinatra no Radio City ou uma caminhada interminável pela Brodway, desde a cidade alta até o Bairro Chinês.
Não pude deixar de me surpreender ao ler um artigo que fora publicado em Buenos Aires no ano de 1941 em que o autor apontava para o perigo das edificações muito altas, alvos fáceis para o bombardeio inimigo que já se iniciara nas capitais européias. Convocava engenheiros e arquitetos para estudar as edificações do futuro.
González Pecotche vaticinava as catástrofes que sucederam aquele mês de julho de 41, em plena guerra, e que continuam ocorrendo até hoje, e conclui: “Tanto o homem faz e desfaz, que, ao continuar assim, chegará até a perder, definitivamente, a razão, e com ela, todas as prerrogativas de seu gêneroâ€.
11 de Setembro de 2001 deixou para NY e para o mundo uma grande lição: a necessidade da reconstituição do edifício humano sobre as sólidas bases da compreensão, do respeito e da tolerância, se não quisermos perder todas as prerrogativas de nosso gênero.
O autor, Nagib Anderaos Neto, é engenheiro