Os historiadores de arquitetura e urbanismo brasileiros e do exterior que vão participar do 1.º Congresso Internacional de História Urbana – que será realizado de 7 a 10 de outubro no Seminário Santo Antonio de Agudos – vão conhecer de perto alguns fenômenos urbanos que marcaram época em Jaú, Botucatu, Lençóis Paulista, São Manuel, Avaí, Agudos e Bauru.
A coordenação do congresso reservou o último dia do evento para cumprir um roteiro de viagens a esses municípios. Os profissionais vão poder avaliar casarões de fazendas, a difusão do ecletismo no Oeste Paulista, o traçado e as particularidades de cidades formadas ao longo da ferrovia, que ajudaram a construir a história dessas comunidades.
O congresso, que conta com o apoio do Jornal da Cidade, homenageará o arquiteto austríaco Camillo Sitte - cujo centenário de morte foi celebrado em novembro passado - e a publicação da revista de urbanismo Der Städtebau, que ocorreu em 1904.
Intitulado “Camillo Sitte e a circulação das idéias de estética urbana – Europa e América: 1880-1930”, o congresso é uma continuação de três outros encontros: o primeiro realizado em 1990, em Veneza, depois um outro em novembro do ano passado, em Viena, e o terceiro em janeiro deste ano novamente em Veneza. Todos voltados à disseminação da obra de Sitte.
Segundo a professora Kelly Magalhães Faria, do curso de arquitetura da Unesp/Bauru, a viagem à região possibilitará aos arquitetos conhecer o resultado do trabalho de pesquisadores da área que atuam no Oeste Paulista.
“Conseguimos reunir pessoas que pesquisam cidades da região. Cada um desses municípios - Bauru, Jaú, São Manuel, Botucatu, Agudos e Avaí – se reúne em torno de uma idéia de modernização, que caracterizou o final do século 19 e, muito precisamente, o início do século 20”, explica.
“Bauru faz parte de uma das viagens durante a chamada Mostra Regional de História Urbana. O roteiro mostrará a arquitetura do Centro da cidade a partir dos edifícios que são representativos para o ecletismo”, diz.
Segundo Kelly, a mostra regional, com o formato de um roteiro de viagens, pretende ser um espaço para o debate sobre a história urbana. “Primeiro para que se coloque em pauta um conjunto de cidades ainda distante do cenário da historiografia urbana e depois por apontar uma potencialidade que permita os mais diversos olhares – da história, da sociologia, da geografia, da arquitetura, do urbanismo entre outros – sobre cada uma das cidades”, explica.
Ponto de partida
A professora conta que as cidades que serão visitadas, envoltas pelo viés da configuração de um Brasil urbano e, portanto moderno, vivem seu primeiro grande momento de modernidade a partir da sua inserção no quadro geral de avanço do transporte ferroviário.
“Deste ponto de partida, cada qual assume, entre os conceitos de cidade higienizada, limpa, controlada, a sua particularidade”, observa. Na avaliação dela, a cidade é o grande evento historiográfico e o objetivo da investigação histórica é entender as novas relações que ela propiciou.
“Sobretudo aquelas intimamente ligadas ao incremento de atividades como o comércio, serviço e atrativos para a vida humana num contexto ainda dependente do ambiente rural, bem como salientar a importância numa rede de cidades, de cada um desses eventos”, diz.
Para a professora do curso de arquitetura da Unesp/Bauru escrever a história das cidades do Oeste Paulista se coloca como objetivo central desse trabalho.
“Considera-se, inicialmente, que a ferrovia é o objeto técnico que articula as forças produtivas no espaço da cidade e, com isso, acelera o processo de urbanização num período marcante para a história urbana paulista, no período em que se associa ao crescimento do chamado complexo cafeeiro, bem como o desenvolvimento de atividades urbanas por ele estimuladas”, relata.
Kelly entende que a “aura do progresso” que se instaurou no País teve nas elites apoio necessário à sua propagação. “Portanto as transformações são ditadas pela Europa para as sociedades ocidentais. Assim, atribui-se aos médicos, engenheiros, literatos, jornalistas, governantes, as possibilidades de atuação diante desta perspectiva de progresso. É esse, então, o nosso segundo ponto de partida, e desse temos condição de criar outros possíveis eixos e trechos para a investigação historiográfica”, finaliza.
Mais informações sobre o congresso no site www.faac.unesp.br/acontece/camillositte.