Existem mil e um motivos que levam estudantes universitários a escolher um bairro, em detrimento de outro, para montar suas repúblicas em Bauru. O JC nos Bairros conversou com alunos de diferentes faculdades do município, que explicaram à equipe de reportagem suas razões. Confira a seguir algumas opiniões.
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Alojamento
Estudantes da Faculdade
de Odontologia de Bauru
(FOB) da Universidade
de São Paulo (USP) têm
uma outra opção para moradia.
Trata-se de um alojamento
localizado no interior
do câmpus - o Conjunto
Residencial Estudantil
do Câmpus USP-Bauru
(Crusp).
São 60 vagas para alunos
da graduação distribuídas
em dois prédios (um feminino
e um masculino) e
destinadas aos alunos de
menor poder aquisitivo.
Os universitários que
moram no local dividem
apartamentos com outros
alunos. Cada um tem quatro
quartos e em cada dormitório
moram cerca de
três pessoas.
O alojamento é administrado
pela Comissão
Administrativa do Conjunto
Residencial Estudantil
(Cacre). O aluno interessado
em morar no alojamento
faz a inscrição no início
de cada ano letivo e passa
por uma avaliação sócioeconômica.
São selecionados
os estudantes de menor
poder aquisitivo.
A moradia no Crusp é
gratuita já que ele é mantido
pela prefeitura do câmpus
de Bauru. Segundo o
serviço social da Cacre,
há vagas para a maioria
dos interessados e, portanto,
a demanda reprimida é
pequena.
“É muito bom o alojamento.
Não pagamos luz,
água, nem gás encanado.
Os apartamentos são mobiliados
e a convivência é
boa”, diz a universitária
Thatiana Francisco de Camargo,
estudante de fonoaudiologia
da USP. “Eu não tinha
condições de pagar aluguel”,
acrescenta.
Rogério Caetano Peres da Silva, aluno da Universidade
Estadual Paulista (Unesp), mora no Residencial Vila Verde, no Jardim Marambá, com colegas de faculdade. Os principais motivos da escolha foram a proximidade da Unesp e o aluguel, que é mais barato em relação a outros bairros.
“Tem um ponto de ônibus em frente ao condomínio.
Acho que acabou sendo a melhor opção”, acredita.
Há um ano e meio em Bauru, Rogério conta que também
já morou na Vila Universitária. “O local era bom, mas
o aluguel era mais caro”, justifica o rapaz.
Já para Rafael Lara, estudante de odontologia da Universidade de São Paulo (USP), a Vila Universitária
veio ao encontro de suas necessidades.
“O bairro é bom e é o maisperto da faculdade. Não tenho
críticas. Antes, pensei em morar perto da USC (Universidade do Sagrado Coração), mas achei a região muito escura. Aqui (Vila Universitária) é
melhor. Tem tudo o que eu preciso por perto. Só o supermercado é umpouco mais longe mas, mesmo assim, compensa”, avalia.
Outra opção para quem estuda na USP é o alojamento localizado no interior do câmpus de Bauru, o Conjunto Residencial Estudantil do Câmpus USP - Bauru (Crusp). São 60 vagas para alunos da graduação distribuídas em dois prédios (um feminino e um masculino) e destinadas aos alunos de menor poder aquisitivo.
Estudante da Universidade Paulista (Unip), Marcos Vinícius Leon Laurenti concorda com Rafael sobre a Vila
Universitária. “É um bairro bastante funcional. Tem tudo por perto. Os ônibus para a faculdade
e para o meu serviço passam perto”, explica.
Ele afirma que os estudantes da Unip não têm um bairro
preferencial - estudantes da USP, por exemplo, preferem
a Vila Universitária -, e afirma que tem colegas de classe espalhados por várias regiões da cidade. “Alguns escolhem locais mais em conta por condições financeiras. Uns bem longe de casa, outros perto”, diz Marcos.
Assim como alunos da
USP preferem a Vila Universitária,
universitários da USC
“adotam” o Jardim Brasil como
principal referencial, por
ser perto da faculdade.
Ticiana Aparecida Alves
de Mira, 18 anos, cursa fisioterapia
na instituição e mora há
uma quadra de lá. Ela afirma
que optou pelo Jardim Brasil
pela proximidade e porque
tem amigas que já moravam
no bairro. “Estou gostando. É
bastante sossegado. Além disso,
eu não tenho gastos com
transporte”, explica.
A situação da estudante
de psicologia Maristela Frare,
19 anos, é semelhante.
“Eu gosto daqui (Jardim Brasil)
e não mudaria para outro
local. O pessoal da USC geralmente
mora perto da faculdade”,
enfatiza.
Mas, como diz o ditado, toda
regra tem exceções. Fabiano
Rampazzo cursa sistemas
de informação na USC e mora
no Núcleo Mary Dota.
“Escolhi oMary Dota porque
tenho uma prima lá. A
vantagem é que tenho tudo
pertinho de casa. Como eu venho
de carro para a faculdade,
não fica tão longe”, afirma.
“É difícil dizer se eu me
mudaria de lá porque eu nem
conheço outros bairros de
Bauru”, confessa.
O Jardim Brasil, entretanto,
é bem cotado não apenas
por estudantes da USC. Ele fica
próximo ao entroncamento
das avenidas Nações Unidas e
Duque de Caxias e, portanto,
atrai estudantes das diversas
universidades de Bauru.
Bruno Matiuzzi de Oliveira,
21 anos, estuda engenharia
civil na Unesp e mora no Jardim
Brasil. “É mais fácil o
acesso a tudo. É perto do Centro,
do supermercado, da academia
e do ponto de ônibus.
Fica bem mais fácil para
mim”, salienta.
O aluno de engenharia civil
conta que já morou no Jardim
Marambá mas não se
adaptou. “Eu preferi mudar
porque lá era difícil para tudo
- para fazer compras, pegar
ônibus, ir para outras repúblicas
de amigos, etc. A maioria
dos meus amigos mora na Vila
Universitária, no Jardim
Brasil e no Centro”, expõe.
Outro ponto positivo: enquanto
no Jardim Marambá
Bruno enfrentou restrições da
imobiliária para negociar com
estudantes, no Jardim Brasil
ele não teve problemas.
“Quando é estudante, eles
ficam cismados. Eles não querem
alugar o imóvel e perguntam
antes quantos vão morar,
etc. Isso existe mas, na última
casa, não aconteceu”, expõe.
Embora estude na Instituição
Toledo de Ensino (ITE),
Roberta Munaro optou por
atravessar diariamente um longo
trecho da cidade e morar
no Jardim Higienópolis. Ela
não gosta da Vila Falcão e
afirma que tem carona para ir
para a faculdade.
“A Vila Falcão é longe de
tudo. Eu não gostaria de morar
lá. Gosto do lado de cá da
cidade”, frisa.
Shopping
Um fenômeno relativamente
novo e que vem se intensificando
ano a ano é a
grande concentração de estudantes
no Jardim Infante Dom Henrique, nas imediações
do Bauru Shopping.
As estudantes de engenharia
de produção da Unesp Bruna
Rosa, Monise Maroço e Tinara
Monte, por exemplo,
não trocam o bairro por outro
local na cidade.
“Tem o supermercado,
tem o shopping, tem restaurante,
tem farmácia, tem tudo
perto. E a maioria do povo
mora lá mesmo”, diz Bruna.
“Eu gosto bastante pela localização.
Tem ponto de carona
para quem não tem carro”,
acrescenta Monise.
Também estão inseridos
no contexto bairros próximos
ao Jardim Infante Dom
Henrique, como o Jardim Panorama.
“Tem várias repúblicas
por perto, tem o shopping,
lanchonetes e supermercado
perto de casa”, argumenta
Patrícia Pechini, 18
anos, estudante de arquitetura
da Unesp.