09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A essencial aparência


| Tempo de leitura: 2 min

A sociedade traz consigo as marcas da aparência nos dias em que vivemos. A vida está passando por um momento onde a embalagem está sendo priorizada em detrimento do conteúdo. Somos tachados pelo que possuímos e não pelo nosso caráter e, ainda, pelos títulos e não pelo nosso conhecimento. Lamentável!

Estamos preocupados em ser o que as pessoas querem e passamos inescrupulosamente por cima de nossas vontades, de nossos sentimentos. Mas quem são as pessoas? Elas são de natureza jurídica muitas vezes. São empresas preocupadas em vender - às custas de nossa frágil personalidade – produtos “milagrosos” para a juventude eterna, corpo apolíneo e bens de status como automóveis luxuosos e roupas de grifes famosas. Jamais estiveram ou estarão preocupadas com a nossa felicidade. Aliás, sentir-se bem seria o fim para o comércio da “felicidade”.

Estamos tão preocupados com a aparência que deixamos de lado a nossa liberdade. Ficamos presos à ditadura da moda. Como se alguns estúpidos tivessem o poder para decidir o que é bonito ou não e pior, como se o conceito do belo mudasse repentinamente – a critério de algumas pessoas.

Revolta-nos saber sobre tantos representantes públicos exibindo suas fortunas – de origem duvidosa, muitas vezes – em meio a uma sociedade em pleno estado de miserabilidade. Os homens, principalmente, desfilam com suas “potras” arrematadas em “leilões da raça”. Já as mulheres descobriram uma profissão, ser socialite (pessoa preocupada em não se ocupar). E até o sexo se tornou aparência, pois a essência agora é “Viagra” ou “Sialys” para muitos.

Porém, não deixemos a essência ser relegada a segundo plano. Pois somos seres humanos capazes de sentir, de amar e de respeitar. Temos o direito e dever de dizer não à hipocrisia e a tudo o que fere o nosso bem estar.

Por fim, criemos os nossos filhos não perto de nossas verdades aparentes, mas essencialmente longe de nossas mentiras. Lembremo-nos de que somos portadores de livre arbítrio para legitimar as nossas opiniões. (Laurício Cassol Argenta - estudante)