O primeiro dia de vacinação anti-rábica em Bauru foi marcado pelo baixo número de animais vacinados. De acordo com avaliação do chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, a adesão pode ter sido 30% inferior à registrada no ano passado, quando 16.087 cães e gatos foram imunizados.
A apreensão dos proprietários com a epidemia de leishmaniose pode estar relacionada à baixa adesão, avalia Gonçalves Neto. “A população está preocupada com a leishmaniose e não com a raiva, mas é preciso frisar que não existe risco de contaminação. A leishmaniose não é transmitida através de agulhas. Além do mais, todo o material usado na vacinação contra a raiva é descartável. Durante a vacinação, um cão não tem contato com outro”, reforça.
O veterinário ressalta que a leishmaniose não deve ser motivo para que os proprietários deixem de levar seus animais aos postos de vacinação anti-rábica.
“A raiva é 100% mortal tanto para o homem quanto para o animal. Não podemos relaxar. Hoje, temos uma situação tranqüila porque os animais estão vacinados.”
Foi exatamente para não confundir a população que a coordenação da campanha decidiu não utilizá-la para divulgar informações sobre a leishmaniose.
“Até pensamos em fazer uma campanha de orientação, mas concluímos que poderíamos confundir ainda mais a população.”
Outra preocupação do Centro de Controle de Zoonoses é que a maioria das pessoas que encaminham seus animais para vacinação são crianças. “Pensamos em distribuir um folheto explicativo, mas chegamos à conclusão que seria impróprio, porque a maioria dos animais são encaminhados aos postos através de crianças, que jogariam o folheto na rua.”
A vacinação anti-rábica, que começou ontem, conta ainda com mais três fases, a serem realizadas nos dias 19, 26 e 17 de outubro. No dia 19, a vacinação será nos bairros da região centro/sul. No dia 26, o CCZ vacinará por meio de postos volantes, encerrando a última etapa em postos localizados na zona rural de Bauru e no distrito de Tibiriçá.
Até o final da campanha, a expectativa do CCZ é vacinar cerca de 50 mil animais, o que corresponde a 80% da população de cães e gatos da cidade. “A projeção é feita pelo Instituto Pasteur, que organiza a vacinação. A estimativa é sempre crescente”, explica Gonçalves Neto.
Na primeira fase da vacinação anti-rábica do ano passado, foram vacinados 16.087 animais. Na segunda, 16.865 e nos postos volantes, mais 912. Na área rural, a campanha atingiu 1.047 cães e gatos.
Com carteira
Apesar de preocupada com a leishmaniose, Soraia Fernandes Santos tratou de levar seus dois cães, em duas viagens, para a vacinação. “Eu acho muito importante vacinar contra a raiva. Se ele morder alguém, a pessoa não corre o risco de morrer.”
Quanto à epidemia, Soraia afirma estar se precavendo. “Não deixo lixo acumulado e retiro o mais rápido possível as fezes dos animais para não atrair moscas de qualquer espécie.”
Paulo Sérgio Macedo tem três cães e mesmo com bastante dificuldade para carregá-los tratou de levá-los para a vacinação. “Eu vacino porque traz risco de morte às pessoas e aos animais.”
A babá Luciana Matias da Silva, proprietária de três cães, não mediu esforços para levar seus animais de estimação até o posto de vacinação. “Eu me preocupo com a saúde deles, mesmo não os deixando na rua”, garante.
Serviço
Mais informações sobre a campanha de vacinação anti-rábica podem ser obtidas no Centro de Zoonoses (14) 3281-2646.