25 de maio de 2026
Ciências

Unesp estuda dados do envelhecimento

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru inicia nesta semana a coleta de informações sobre a estrutura física dos idosos. A intenção é montar um banco de dados nacional com medidas (peso, estatura, envergadura) que sirva de parâmetro para a criação, confecção e adequação de móveis, objetos e espaços dedicados à terceira idade.

A “Antropometria estática da terceira idade”, como é chamada a pesquisa, é realizada pelo Grupo de Estudos Ergonômicos do Departamento de Desenho Industrial da Unesp e faz parte da tese de mestrado do fisioterapeuta Adelton Napoleão Franco, que coordena os trabalhos.

Segundo ele, a proposta do grupo é fazer um mapeamento antropométrico da população brasileira nas mais diferentes faixas etárias. “Hoje, todos os trabalhos que exigem orientações sobre medidas humanas têm como referência estudos realizados no Exterior, que não levam em consideração as características peculiares do brasileiro”, comenta.

Franco informa que o grupo já estudou a antropometria de crianças em idade pré-escolar, alunos do ensino fundamental (7 a 14 anos), do ensino médio (15 a 18 anos) e estudantes universitários. “Como eu já trabalho com idosos em asilos há seis anos e tenho algum conhecimento sobre o envelhecimento humano, aceitei a proposta de entrar para a equipe de estudos para avaliar essa população”, comenta.

A pesquisa vai avaliar 300 homens e mulheres voluntários com idade igual ou superior a 60 anos, que freqüentam grupos ou associações voltadas a essa faixa etária em Bauru. As pessoas devem ter condições normais de saúde física e mental e não podem ser dependentes de mecanismos de ajuda, como cadeira de rodas, próteses ou outros artefatos que possam interferir na coleta dos dados.

Cada voluntário será avaliado sob 27 variáveis. Isso é feito com equipamentos simples e medição, como fita métrica flexível, balança e réguas específicas. Os maiores e menores valores obtidos em cada uma delas vão compor o banco de dados, que deverá dar subsídios para os mais variados setores.

“Se você vai construir uma clínica de geriatria, você pode usar a antropometria para definir a largura de uma rampa ou a altura de degraus. Se você vai montar um quarto para o idoso, você vai poder dimensionar o espaço de modo a torná-lo o mais confortável e prático possível para aquela pessoa e assim por diante”, explica o orientador da pesquisa, professor José Carlos Plácido da Silva.

A ergonomia é uma ciência que estuda a adaptação de móveis e objetos à anatomia humana. É graças a ela que, hoje, as cadeiras de escritório têm alavancas para a regulagem de altura e ângulo do encosto, por exemplo.

Franco salienta que o processo de envelhecimento inclui diversas mudanças biológicas consideradas naturais. O sistema musculo-esquelético da pessoa se desgasta, há uma perda importante de massa muscular, redução da elasticidade das fibras musculares, tendões e ligamentos, desgaste das articulações.

“O idoso também sofre modificações na postura. A cabeça e o pescoço tornam-se inclinados para a frente, a coluna curva-se na altura dos ombros e tórax, os membros superiores e inferiores (braços e pernas) tendem à flexão (ficam semidobrados). Tudo isso pode ser considerado na hora de se criar um móvel ou organizar um espaço”, acrescenta.

Perspectiva

Plácido destaca que as projeções estatísticas apontam para uma expectativa de vida cada vez maior. Em 20 anos, espera-se uma predominância preocupante da população idosa no mundo.

“O Brasil baseou seus produtos em levantamentos internacionais até a década de 80, quando o Instituto Nacional de Tecnologia do Rio de Janeiro (INT) desenvolveu trabalhos deste tipo com trabalhadores brasileiros. Aos poucos, vamos aprimorando isso, porque nosso contexto é muito diferente dos de outros países”, argumenta.