10 de julho de 2026
Política

Café com política: Valle contesta os números do DAE

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 9 min

O candidato a prefeito pelo PSB, vereador Luiz Carlos Valle, continua contestando dados oficiais divulgados pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru. Ele repete, em particular, que o desperdício de água na rede não é de 26%, conforme menciona a autarquia, mas de quase 50% do volume captado nos mananciais.

Na série Café com Política de hoje Valle também indaga que o tratamento de esgoto não exige cerca de R$ 60 milhões, também conforme projeto do DAE discutido em audiência pública na cidade. O prefeitável afirma que R$ 30 milhões bastam para a estação de tratamento. Os interceptores seriam construídos com recursos próprios em sua proposta.

Contudo, a conta fica em aberto quando o DAE, de sua parte, anota que a estação está estimada em R$ 30 milhões e a rede de coletores (cerca de 30 quilômetros) exigiria mais R$ 27 milhões. Esta e outras indagações foram feitas a Luiz Carlos Valle na entrevista que vai ao ar, hoje, às 21 horas, na TV Câmara, pelo canal 10 da Net. Leia os principais pontos a seguir:

Jornal da Cidade - O senhor promete reduzir cargos de confiança. Quais e quantos?

Luiz Carlos Valle - Nossa idéia é de pelo menos reduzirmos 100 cargos de confiança. Entre secretarias e secretários-adjuntos nós teríamos cerca de 15 cargos a menos. Porque uma secretaria já definimos que tem que ser incorporada, porque não consegue cumprir seu papel. Meu refiro à Secretaria de Administrações Regionais (Sear). Esta, na nossa concepção, vai funcionar como um departamento de manutenção da Secretaria de Obras, que vai cuidar tanto das construções quanto das administrações dos bairros. Os 14 cargos de secretários-adjuntos vamos cortar. Depois, vamos reduzir mais uns 85 cargos de assessoria de segundo escalão, o que gera uma economia de R$ 300 mil a R$ 400 mil por mês.

JC - Por que a administração regional não funciona?

Valle - Veja no próprio orçamento. O de Administrações Regionais é de R$ 500 mil e o de Obras é de R$ 15, 20 milhões. Tem alguma coisa muito errada neste processo. Você não consegue dar à Sear o suporte para ela cumprir esse papel. Hoje ela só tem o papel de distribuir cargos de confiança para acordos com vereadores. Vencendo as eleições, nós vamos conversar com os partidos políticos. Aqueles que quiserem compor a base de sustentação do governo o farão. E aí sim, com secretarias inteiras administradas por partidos, A ou B, para dar sustentabilidade na Câmara Municipal.

JC - O PFL que integra a aliança do senhor teria interesse em administrar o DAE, então?

Valle - Nunca foi colocado nada nesse sentido. Mas evidentemente que nós, vencendo as eleições, vamos governar e buscar nos quadros do PFL, do PSB, PT do B e do PSC aquelas pessoas que apresentem um currículo, uma experiência que venha somar. Aí sim, vamos discutir todos esses cargos de forma técnica e política.

JC - Mas como vereador o senhor viu ao longo das gestões uma relação com indicação de cargos.

Valle - Vamos cobrar em cima de resultados das secretarias. Hoje, por exemplo, o PMDB assume em nível nacional um ministério. Aquele ministério é preenchido por um membro dos quadros do PMDB, que vai discutir internamente as indicações em função de critérios técnicos e políticos.

JC - Por que o senhor quer alugar prédios para creches ao invés de construir?

Valle - A prefeitura de São Vicente tem R$ 185 milhões de orçamento, igual Bauru, com 220 mil eleitores lá e 216 mil em Bauru. Foram abertas nos últimos quatro anos 66 creches lá. Em Bauru quantas foram abertas? Para ter uma creche funcionando você precisa de uma instalação física. Nós não estamos com sobra de dinheiro para construir muitas creches, que custa mais de R$ 100 mil. Ao passo que se você alugar uma casa muito boa na cidade, com R$ 1 mil, imagine o que isso vai gerar de economia a curto prazo.

JC - E a gestão plena de saúde?

Valle - Eu fui o primeiro que assumiu a defesa da gestão plena e estou sendo imitado pelos outros candidatos. Viram que os profissionais da saúde, os médicos, a Associação Paulista de Medicina (APM), todos são favoráveis a esse modelo, muito mais proveitoso para Bauru.

JC - Uma proposta não deve ser assimilada por outros candidatos?

Valle - Não, acho que deve ser assimilada. Então a pessoa devia ser honesta e dizer, eu gostei muito da proposta do Valle e resolvi seguir. Achei muito boa a proposta que foi apresentada naquele debate que tivemos na APM. A gestão plena viabiliza a um prefeito definir juntamente com os funcionários da categoria as necessidades básicas para que o funcionamento seja eficaz.

JC - O que significa, no seu plano, política agressiva para atrair indústrias?

Valle - Política agressiva para atrair indústrias é você ter um marketing moderno e eficaz. Isso o último que fez foi o ex-prefeito Tidei de Lima. Fez lá no Maksoud Plaza uma reunião, convidou empresários, convidou a Fiesp, fez um vídeo da cidade, fez uma proposta e o nível de imagem da cidade foi projetada de uma forma positiva. De lá para cá foi só conversa mole, não teve nada de concreto. Pretendemos pegar as experiências boas dos governos de Tidei de Lima, Izzo Filho. Tem muita gente que acredita que não tenha tido, mas teve. Por exemplo, o asfalto na periferia gratuito. Vamos pegar esse modelo, aperfeiçoar. Existe, sim, asfalto de graça, o asfalto subsidiado. E o IPTU que as pessoas pagam na periferia é para levar essas benfeitorias também.

JC - Mas o conceito de asfalto de graça é combatido porque sai do bolo dos impostos.

Valle - Aqui, em uma parte da cidade, isso é perfeitamente compreensível. Mas em outra parte, para uma população mais carente, essa definição não se torna muito palpável. Por isso que a gente está falando. Não vai pagar o asfalto na periferia. Mas nós estamos falando a linguagem e todo mundo sabe que nós temos os recursos advindos do IPTU que vão ser aplicados.

JC - Mas a proposta de asfalto de graça é considerada populista. O senhor teria o mesmo objetivo?

Valle - O mesmo objetivo. O Izzo Filho estava certíssimo nisso. Acho que a gente tem que dar um tratamento diferenciado para a periferia. Porque nos grandes condomínios, se alguém fizer um asfalto a R$ 90,00 o metro quadrado, como tem sido cobrado em Bauru, o pessoal não está muito preocupado. Ainda que reclame um pouquinho, paga. Mas na periferia o povo não tem condição de pagar.

JC - O senhor prega o enfrentamento das prioridades da zona sul em detrimento das outras áreas?

Valle - De forma alguma. Vamos investir com sabedoria. Vamos dar recursos, condições, prioritariamente vamos asfaltar a periferia com máquinas da prefeitura, porque vamos fazer um asfalto de mesma qualidade a um quarto do custo atual. Por isso falo que vou fazer mais asfalto que o atual prefeito. E falo com base e comprovo. Porque os mesmos recursos que ele tem hoje eu vou aplicar na usina de asfalto da prefeitura, nos equipamentos da prefeitura e na mão-de-obra.

JC - Todos defendem cobrar grandes devedores. Mas como agilizar a execução fiscal?

Valle - Com duas linhas de frente. Primeira, um jurídico que seja eficaz. Um jurídico eficaz é como esse nosso da campanha. Aliás, o melhor jurídico, estou nadando de braçada com relação aos outros candidatos. Precisamos ter um jurídico que não perca prazo. E o Judiciário não funciona não porque não é bom. Mas a Justiça tem que ser alcançada quando você tem profissionais competentes. Eu não estou chamando de incompetente o Jurídico da prefeitura, mas eu acho que ali no meio pode ser que a gente encontre pessoas que talvez estejam um pouco desmotivadas. A segunda linha, eu vou citar o caso do loteamento Lago Sul. Me disseram que foi cobrado um IPTU exagerado lá e a prefeitura entrou em uma pendência. Entraram no Judiciário contra a prefeitura e estão depositando em juízo aquilo que eles entendem como o IPTU mais correto. Não vou abrir guerra contra empresários, mas vamos conversar e buscar um entendimento que seja saudável, que seja um acordo honesto.

JC - Tratamento de esgoto.

Valle - De onde tiraram que o tratamento de esgoto custa R$ 60 milhões? O prefeito pediu financiamento de R$ 65 milhões. Uma estação de tratamento de esgoto não pode custar mais de R$ 30 milhões.

JC - Mas o DAE calcula R$ 27 milhões para rede de interceptores e R$ 30 milhões para a estação?

Valle - Eu quero o dimensionamento dessa rede, até hoje eu não vi. Estão fazendo com material manufaturado fabricado no pré-moldado da prefeitura, ou estão comprando fora? Quanto está o custo do metro linear desses interceptores?

JC - Como fazer a rede coletora com recursos do DAE, então?

Valle - O DAE é superavitário em mais de R$ 500 mil por mês. E nós vamos torná-lo muito mais superavitário, porque vamos investir onde precisa. Outro dia falei em informações erradas na perda de água prestadas pelo DAE. Eles insistem em dizer que é 26%. Tem até um candidato a prefeito que comprou isso e fala que é 26%. Eles estão enganados. O DAE hoje produz 3,2 milhões de metros cúbicos de água por mês. E mede 1,8 milhão de metros cúbicos por mês. As perdas são de 48%.

JC - Dá para recuperar a estação de água (ETA), a rede de água e ainda instalar os coletores só com recurso próprio?

Valle - A rede de distribuição de água não exige um custo muito caro. Está se gastando mais dinheiro hoje com perfuração dos poços do que na recuperação da rede de abastecimento. Não podemos ficar abrindo poços sem controle. Temos que reparar essa perda de 48%. Porque na medição desaparece 1,4 milhão de metros cúbicos de água por mês.

JC - Por que o senhor quer colocar câmeras nas entradas da cidade?

Valle - Não disse nas entradas, mas na cidade como um todo. Essa é uma proposta que passa pelos Conselhos de Segurança (Conseg). Nossa proposta de diminuição da criminalidade passa pelo projeto Guardas da Cidadania e pelo projeto de monitoramento com câmeras de vídeo e pode ser feito gradativamente nos pontos onde existem zonas de prostituição, de tráfico de drogas.

JC - O que o senhor faria com os lotes urbanizados?

Valle - Os lotes urbanizados e política habitacional da Cohab têm que passar por uma revisão profunda. Precisamos urgentemente buscar novas linhas de crédito, de financiamento. Pode ser tanto da Caixa Econômica Federal (CEF) e de outras perspectivas para implementar na cidade em obras paradas. Não penso em extinguir a Cohab em hipótese alguma. O que temos que fazer é buscar mais recursos e construir, por exemplo, nesses locais como os lotes.