08 de julho de 2026
Polícia

Médico é extorquido após ameaça telefônica

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Um golpe que começou a ser aplicado no início do ano em diversas cidades do Brasil e que, em Bauru já havia sido tentado várias vezes nos últimos meses, fez uma vítima ontem na cidade. Após receber ameaças, por telefone, de uma pessoa com sotaque carioca e que exigia dinheiro para recarregar celulares de presos do Rio de Janeiro, um médico de Bauru perdeu R$ 500,00 em cartões telefônicos.

Uma psicanalista, que também trabalha na clínica e que não quis ter o nome divulgado, conta que o médico ficou com medo de sofrer represálias. O interlocutor, segundo ela, dizia estar com dois veículos lotados de armamentos pesados próximos à clínica de saúde. “Ele dizia que, com essas armas, poderiam entrar na clínica atirando e matar clientes e quem mais estivesse lá”, relata.

O interlocutor, conta ela, exigia R$ 4 mil em cartões telefônicos e dizia que iria marcar um local para recebê-los dentro de uma hora. “Ele negociou, dizendo que não dispunha de todo o dinheiro e conseguiu baixar a exigência para R$ 500,00. Compramos os cartões e, ao invés de marcarem um lugar para a entrega, o rapaz fez o médico passar, por telefone mesmo, todos os números dos cartões”, afirma.

Enquanto o interlocutor, que telefonou quatro vezes para a clínica, fazia as exigências ao médico, a psicanalista entrou em contato com a polícia. Ela foi alertada pelo delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que tudo indicava tratar-se de um golpe e orientada a não atender as exigências da pessoa que estava fazendo as ameaças pelo telefone.

Porém, o médico preferiu atender as exigências do interlocutor para evitar colocar em risco seus clientes e sua família, pondera a psicanalista. “O rapaz dizia que se alguém acionasse a polícia iria ter retaliação e se fizéssemos o que ele queria, ele não iria mais nos ligar. Depois que ele passou todos os números dos cartões, comprovamos que realmente era um golpe”, comenta ela, que tomou a iniciativa de procurar o JC para alertar a população sobre o golpe.

Sem represálias

J.J. Cardia frisa que cerca de 20 pessoas procuraram a delegacia nos últimos quatro meses para registrar que estavam recebendo ameaças semelhantes por telefone, de pessoas supostamente ligadas a facção criminosa do Rio de Janeiro. “Todos não pagaram nada e não sofreram nenhuma represália. Em um desses casos, rastreamos a ligação e confirmamos que ela foi feita de dentro do presídio de Bangu 2, no Rio de Janeiro. Mas são criminosos que não têm pessoas aqui em Bauru”, afirma.

Em contato com a Delegacia de Extorsão da cidade de São Paulo, Cardia foi informado que a tentativa de extorsão já foi registrada em várias cidades do Interior do Estado e na capital. “Realmente são pessoas do Rio de Janeiro e até de dentro de presídio, conforme já constatamos. Porém, dos cerca de 1.500 casos de registrados de ameaças recebidas, não houve nenhuma represália”, diz.

De acordo com o delegado, os golpistas escolhem determinados setores onde acham que podem ser bem-sucedidos e fazem as ameaças por telefone. “Aqui em Bauru as ameaças já foram feitas a escolas particulares, hotéis e comerciantes”, enumera. A orientação é não atender as exigências e acionar a polícia imediatamente. “Em um dos casos registrados aqui em Bauru, em que exigiam R$ 30 mil, eu passei a negociar com a pessoa que fazia as ameaças como se fosse o filho do empresário e não foi pago nada e ninguém sofreu represália”, completa.

Serviço

O telefone da Delegacia de Investigações Gerais em Bauru é (14) 3224-3090.