25 de maio de 2026
Articulistas

Querelas pessoais


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Às vezes, a gente fica muito triste diante de certas desconsiderações alheias. A gente percebe que a pessoa faz para magoar, faz de propósito e é lógico que sentimos. Anormal seria ignorarmos um procedimento tão preparado para nos atingir. Sim, é triste, é muito triste. Tem gente que acredita ser dotado de capacidade para avaliar o bem, o mal e, mais que isso, dar a sentença final; principalmente se tem poder, influência e você debaixo dele. Sei que essa situação é terrível, humilhante, dolorosa... Mas, fique tranqüilo, existe apenas um juiz reconhecido pelo nosso Criador, que é Cristo, o Senhor (Jo 5, 22). “Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos” (At 10, 42).

Não somos os primeiros nem seremos os últimos a sermos perseguidos, ultrajados, excluídos. Temos o testemunho dos primeiros cristãos: “Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos” (II Cor 4, 8). Tudo é questão de refletirmos em quem estamos depositando as nossas esperanças. “Que teu coração deposite toda a sua confiança no Senhor!” (Pr 3, 5). A humanidade é frágil, sujeita a um sem número de fraquezas, erros e maldades. A ganância, a soberba e a ânsia pelo poder fazem com que muitos se comprazam diante do sofrimento de outrem, imaginando que sua miserabilidade esteja a lhes confirmar posição e prestígio. Mal sabem que a perdição do outro, quando a nós relacionada, será de nós cobrada: “Quem cometer injustiça, pagará pelo que fez injustamente; e não haverá distinção de pessoas” (Col 3, 25). “Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo” (II Cor 5, 10).

Sei que falar assim transfere para o futuro uma justificação que se queria presentemente. Sei também que o tempo de Deus é diferente do nosso, imensamente diferente. “... Sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça” (Eclo 2, 3). É tudo o que posso lhe dizer e que a vida tem me ensinado a aceitar. De nada adianta a revolta, o inconformismo, a ira, senão para machucar o nosso coração e minar nossas reservas de energia. Todos passamos por momentos conflituosos, querelas pessoais, rusgas que nos entristecem e nos fazem chorar. Nosso Pai tudo vê. “Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados” (Mt 10, 30). Confiemos que a justiça será feita no tempo oportuno. Nem sempre estamos cobertos de razão como imaginamos. “De nada me acusa a consciência, contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que merece” (I Cor 4, 4-5). Creiamos nisso, e esperemos no Senhor.

A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga, bacharel em direito e autora dos livros: “Buscando a Felicidade” e “Sementes de Esperança”